O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados...

O Ramadã segundo Burton

Ao fim do Ramadã deste ano, só me vem à lembrança os comentários do explorador inglês Sir Richard Francis Burton, o qual, além de converter-se ao islamismo, ainda tornou-se xiita e, posteriormente, mestre Sufi. Segundo Burton, “aquele ‘mês santo’ era um castigo terrível”, pois tornava os muçulmanos “doentios e inamistosos”.

Durante dezesseis horas e quinze minutos seguidos, ficávamos proibidos de comer, beber, fumar, cheirar e até engolir nossa saliva de propósito.

O Jejum deixava as pessoas de péssimo humor.

Os homens praguejam uns contra os outros e batem nas mulheres. As mulheres esbofeteiam e destratam as crianças, as crianças por sua vez maltratam e xingam cães e gatos. A pessoa mal consegue passar uns dez minutos em qualquer parte populosa da cidade sem ouvir alguma briga violenta.

Numa situação destas não é de se estranhar essa última série de atentados terroristas. Os militantes certamente estavam – como se diz em Goiás – com a “vó atrás do toco“…

Nóis é bão

A economia norte-americana, mesmo em meio aos enormes gastos de guerra, cresceu para caramba. E por quê? Simplesmente porque o governo deles abaixou os impostos. Já aqui, o Ministro Paloci vai à TV para dizer que, caso haja crescimento econômico, o governo reduzirá a tributação, o que, claro, é o mesmo que dizer: se o Tiradentes respirar, afrouxaremos a forca… Como costuma dizer diante do noticiário a Hilda Hilst: “Nóis é bãããããããoo! Nóis é jóóóóóóia!!”

Quem diria…

Eis um trecho do livro Hollywood Nua e Crua, de Dulce Damasceno de Brito, que a Cássia me indicou: “Foi o maestro Xavier Cugat quem contou a nós, correspondentes estrangeiros, a estranha história dos irmãos Castro, seus conterrâneos de Cuba. Mais tarde, vários atores e produtores confirmaram-na. Efetivamente, há provas cabais de que Raul e Fidel Castro queriam o sucesso a todo custo e, antes da revolução de Sierra Maestra, estiveram em Hollywood tentando o cinema. Nada conseguindo como atores, conformaram-se em ser figurantes e, assim, apareceram em uma dezena de filmes. E quando marcharam vitoriosos sobre Havana, Raul usava uma boina com esta etiqueta: PROPRIEDADE DOS ESTÚDIOS DA REPUBLIC PICTURES…”
Pois é, no fundo no fundo, é apenas vontade de aparecer. Qualquer dia o Gilberto Braga põe o Fidel na Celebridades

Matrix Revolutions

Estou realmente decepcionado com essa trilogia. Começou ótima, foi ficando quase rarefeita na segunda parte, quando, de repente, foi salva pelo intrigante gongo do Arquiteto. E agora essa última parte de pseudo-cristianismo e de filosofia duplamente semi-nietzscheana: eterno retorno e niilismo mal resolvidos… Bom, outra hora falarei sobre isso.

Steadicam Zero

O Fome Zero não parece mesmo um projeto dos mais eficientes… Bom, pelo menos o $14 Steady-cam é de fato uma mão na roda para pobres cineastas digitais… Ah, o site HomeBuiltStabilizers também possui outros bons projetos.

Filmadora digital

Eis um site muito simples, mas com boas dicas de como escolher uma boa camcorder: DVFreak.com.

A viagem de Sun Ra

Eis um cartoon que descreve como o jazzista norte-americano Sun Ra saiu a buscar livros…

A ética do PT

Todo mundo sabe que para ser um bom político é preciso ser um ótimo ator. E todos devem se lembrar da campanha pela ética na política capitaneada pelo PT. Bem, veja o que respondeu o teórico do teatro Jerzy Grotowski, quando indagado sobre o porquê de não usar o termo “ética”em seu curso: “(…) não usei a palavra ‘ética’, mas sem dúvida, no fundo do que eu disse, havia uma atitude ética. (…) As pessoas que falam sobre ética geralmente querem impor um tipo de hipocrisia aos outros, um sistema de gestos e de comportamento que serve como uma ética”. Precisa dizer mais alguma coisa?

Personal Antropologist

Há alguns meses, encontrei um amigo no casamento de uma amiga comum. Ele é antropólogo e estava acompanhado de uma “jovem liderança indígena” – o Ripa, que aparece no filme “Cronicamente Inviável” -, ou seja, um índio Xavante que sabe se aproveitar muito bem do apoio de ONGs e demais organismos internacionais. O que me chamou a atenção foi o fato de meu amigo estar com uma roupa puída, a gola encardida e o tal índio estar vestido como um VJ da MTV, sem falar do lindo celular e demais apetrechos tecnológicos. Em certo momento meu amigo me disse: “Ele vai à Europa, talvez me leve junto…” E aí tive um insight: meu amigo agora é um Personal Antropologist Tabajara!! No futuro, imagino, todo índio terá o seu, todo índio finalmente terá sua chance de ser um patrão…

“Bombas de Alegria”

Finalmente descobri por que a esquerda festiva brasileira está provocando tanto os norte-americanos: “Há autores que afirmam que a Força Aérea dos EUA, em 1966, atirava sobre o Vietname as chamadas “bombas de alegria”, petardos recheados com o ácido isolisérgico em gás, destinados a obrigar os soldados adversários a fazerem grandes viagens, ausentando-se temporária e subjetivamente, e anulando-os fisicamente no campo de guerra” (Projeciologia, Waldo Vieira). Poxa vida, os caras só estão tentando conseguir uma trip gratuita…

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