O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados...

Cachorro da cachorra

Não apenas a galera de Brasília, mas também a de outras cidades, deve se lembrar da excelente banda “Os cachorros das cachorras”. Os caras eram músicos de verdade, tocavam rock, jazz e alguns inclusive participavam da Orquestra Sinfônica de Brasília. O baixista, Alfredog Soriano – hoje, Alfredo bello – dividia apartamento comigo e mais dois amigos. Figuraça – às vezes ia no show de saia ou vestindo só a calcinha da mãe com um coração na bunda – sem falar em seu talento, força de vontade e disciplina. Chegou posteriormente a tocar com Oto e Naná Vasconcelos. Hoje, ele e sua garota, a percusionista Simone Soul, levam adiante o Projeto Cru. Não deixe de conferir.

Novo camping selvagem

Nos anos 80 e começo dos 90, eu e alguns amigos costumávamos acampar em todo e qualquer lugar que nos dava na telha, tanto na praia quanto em cavernas, fazendas ou Parques. Na Chapada dos Veaderios – onde acampei pela primeira vez em 1986 – chegávamos a passar 15 dias andando para todos os lados, acampando onde quiséssemos, sem encontrar mais ninguém. Chamávamos isso de trekking ou camping selvagem. Fazíamos inclusive bivaque, dormindo ao relento.

O melhor manual de roteiro

Recebi o email de um internauta querendo saber qual é, na minha opinião, o melhor manual para confecção de roteiros. Olha, pra ser sincero, acho grande parte dos “manuais” que rolam por aí inúteis, uma vez que a maioria apenas se limita a listar mil e um termos técnicos e mostrar a diferença entre sinopse, argumento, roteiro cena por cena, decupagem técnica, etc. e tal. Tudo isso se aprende simplesmente escrevendo um roteiro, trabalhando. O melhor a fazer é comprar o roteiro de um filme que se curta – como o Pulp Fiction, que é fácil de encontrar – e lê-lo. Se quiser dicas de como estruturar uma história, como envolver o público, causar pathos, etc. leia então o melhor manual já escrito: A Poética, de Aristóteles. Platão dizia que a realidade é uma “mímese” do mundo das idéias, uma imitação. E a arte seria uma imitação da realidade. Na Poética, Aristóteles mostra como se dá a imitação dos “atos” humanos na epopéia, tragédia, comédia, etc. É uma leitura que vale a pena. Claro, se você já se tocou de que não basta imitar os atos, senão também o interior humano, leia os “roteiros” do melhor “roteirista” que existiu: Shakespeare. Quanto à formatação, resolva o problema adquirindo o Final Draft ou o Movie Magic Screenwriter. E pronto. O resto se resume em não esquecer a regra de ouro – “escreva somente o que pode ser visto e, se necessário, ouvido” – e em não encher o saco do diretor escrevendo literariamente, afinal, um roteiro de cinema é como um roteiro de viagem: é preciso dar espaço para que o verdadeiro viajante – o diretor – possa criar. Se um roteiro fosse literatura, seria literatura minimalista.

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P.S.: Não deixe de ler o post “O melhor software para roteiristas“.

[Ouvindo: Manguetown – Chico Science]

Almada Negreiros

A entrada anterior me fez lembrar de Almada Negreiros, poeta e pintor, amigo e retratista de Fernando Pessoa, que, ao entrar numa livraria, passou a contar quantos livros ainda precisava ler e quantos anos ainda tinha de vida. Sua conclusão: “Meu anos não dão nem pra metade da livraria…”

Trecho do Cânone

Um trecho do “Cânone Ocidental” que eu já havia sublinhado e que a Hilda Hilst voltou a ressaltar em caneta verde limão: “Todos vivemos para sempre, por isso haverá tempo para ler todos e tudo, como há em Back to Methuselah [Retorno a Matusalém] de Shaw, umas das fontes básicas de O Imortal“.

Meu exemplar do Cânone

Se eu continuar nessa minha dureza acabarei tendo de leiloar no Mercado Livre meu exemplar de “O Cânone Ocidental” (Harold Bloom). O fato de a Hilda Hilst o ter enchido de rabiscos e anotações provavelmente o torna caro aos fetichistas culturais de plantão. 🙂 Sim, também o emprestei ao poeta Bruno Tolentino – que aliás foi colega de Bloom em Essex – quem talvez tenha deixado algumas marquinhas e impressões digitais… “Ah”, já dizia Dostoiévski, “o dinheiro… essa coisa maldita que a mim tanta falta faz…”

Sonho lúcido

Noite passada tive um desses sonhos extremamente nítidos. Num antiquário, eu remexia numa caixa de moedas seculares em busca de uma com a qual me identificasse. Ainda tenho a visão de duas delas com uma nitidez espantosa: uma espanhola do século XVII e uma de prata com a efígie de Lord Alfred Tennyson, a qual escolhi por ter me parecido tão bonita. Mas, de súbito, veio a pergunta: mas por que se eu nunca li Tennyson? E então percebi que estava sonhando. O que veio a seguir entrará provavelmente no meu livro “Eu odeio terráqueos!!”…

Ironias

Engraçado, foi só eu citar, numa entrada anterior, os livros que ando lendo que já apareceu uma ex-namorada – amiga querida – pedindo que eu lhe devolva um dos referidos. Coisas da Internet…

A taça do mundo é nossa

Ainda não assisti ao supracitado filme do Casseta & Planeta, mas a mera leitura do nome do personagem do Bussunda já me fez dar risadas: Wladimir Illitch Stalin Tse Tung Guevara. Melhor que isso só o nome real – sim, REAL – do delegado da cidade natal de minha mãe: Hitler Mussoline. Tem pai que é cego…

Lei da Anistia

Nosso presidente é muuuuito gente boa. Essa onda de dispensar do Imposto de Renda a todos os anistiados é mais uma forma de parasitose muito bem bolada. Também quero participar, já que também fui guerrilheiro nos anos 70. Eis a prova: minha foto diante do aparelho do meu grupo: CU – Crianças Unidas. Talvez assim finalmente me sobre um trocado. Esse negócio de escritor é um miserê só.

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