Outro dia alguém me disse – como quem revela grande segredo – que a letra da música Metal contra as nuvens (Renato Russo) fala, na verdade, da traição levada a cabo por Collor de Mello ao limpar as contas bancárias da época. A pessoa me disse isso e ficou com um sorriso de quem esbanja “sabedoria”, pois conhecia o sentido oculto da letra. Meu Deus, isto equivale a dizer que as pérolas se resumem aos ciscos sob o nácar! Toda obra artística tem seu ponto de partida, é verdade, mas por favor… Metal contra as nuvens é uma canção belíssima, trata da luta da consciência por manter sua soberania, da luta da Vontade por manter seu próprio Entendimento. A verdade é que a única Guerra Santa real, hoje em dia, só ocorre dentro de cada indivíduo. Tal como narra essa canção.
As pessoas ficam reclamando das viagens do Lula e não percebem o óbvio: ele está apenas dando vazão à sua vocação para fazer oposição. (Pouco importa quanto “ão” em contrário se diga, é a pura verdade.) E, se no Brasil ele é situação, a quem ele poderia se opor? A ele mesmo? Isto só é possível interiormente, coisa que ele deixa a cargo – como todos nós, principalmente se politiqueiros – de seu próprio subconsciente. Lula é como o líder estudantil que se coça até encontrar motivo para ir protestar ao reitor. Que esse reitor se chame Fernando Henrique ou George Bush pouco importa. Revolucionário comunista gosta é de revolucionar. O negócio é ir fazer barulho e deixar o cubano Josef Dirceu a tomar conta do galinheiro.
Eu gosto dos norte-americanos…
Foi durante uma conversa em que eu narrava minhas experiências de projeção astral que o Bruno Tolentino me definiu “honestidade intelectual”: nunca dizer que sabe o que não sabe, nem dizer que não sabe o que sabe. E eu lhe disse que aprendi isso com certa “brincadeira do copo”, quando então, em 1995, enganei dois amigos por quase duas horas de conversas com “espíritos”. Desmenti no dia seguinte, mas ainda hoje, sempre que “realmente me afogo”, eles pensam que sou aquele garoto que “finge se afogar”. Não pretendo mais perder meu crédito com ninguém. Aliás, o Waldo Vieira é honestíssimo e discorre acuradamente sobre os vários tipos e níveis de experiências extrafísicas. Acredite, Bruno: essas coisas acontecem.
Finalmente os redatores tiveram uma boa idéia e colocaram o pentelho do garoto propaganda das Casas Bahia para pagar umas flexões. Aliás, pelo que conheço do mercado publicitário, esse ator já deve ter ganhado o suficiente para continuar histérico em sua própria casa. Espero que ele faça logo seu pé de meia e suma. Morro de medo de ele vir me oferecer algum produto.
Passei umas boas duas horas navegando pelo site do Marcelo Tas, ouvindo e vendo as entrevistas do seu heterônimo Ernesto Varela, que eu admiro há muito tempo, e, claro, dando boas risadas. O cara é dez e vou dizer por que. Sua paródia de repórter tem as qualidades exigidas para a entrada no Reino: a inocência e a curiosidade de uma criança, a coragem dos que nada temem perder, a sagacidade de uma serpente e a mansidão de um cordeiro. Ernesto Varela quer apenas… saber. E não deve nada a ninguém, nunca deveu, o que nos leva ao dístico da pagina de entrada de seu site: “Finalmente, virei o Roberto Marinho de mim mesmo”. Observação esta que resume toda a potencialidade da Internet enquanto multimídia.
A luz é mesmo mais rápida que o som. Já enjoei de ver a cara da tal Maria Rita em mil e uma revistas, cartazes e sites, e até agora não consegui parar para ouvir a mulher. Enquanto isso vou ouvindo a bossa eletrônica da Bebel Gilberto…
Qualquer dia falarei sobre uma amiga de infância que apenas recentemente descobri ser uma médium fantástica. Juro: ela teve visões do atentado ao WTC dois anos antes do fato! O problema é que ela não conseguia identificar o local, já que via tudo de sob um prédio enorme em chamas. Mas a data – 11 de Setembro – aparecia inclusive em imagens na TV que só ela via. Diversas vezes, durante dois anos, despertou na cama com uma voz lhe sussurrando no ouvido: 11 de Setembro. Quando a fui visitar – anos e anos depois de a ter visto pela última vez – sua mãe sorriu e me disse: “Meu Deus, bem que ela me disse que vc iria aparecer esta semana…” Tudo isso sem falar que, como Swedenborg, vê e se comunica com espíritos o tempo todo. Intrigado, fiz o mapa astral da balzaquiana e fiquei chocado: possui aspectos em comum com os mapas de Edgar Cayce, Yogananda, Max Heindel e Rudolf Steiner!!
O “diálogo” entre o pai da menina recentemente assassinada por um menor de idade e o senador Eduardo Suplici foi de fato interessantíssimo. Cada qual era para o outro um verdadeiro ET e, do modo mais tragicômico, perderam a oportunidade de perceber o horizonte mental alheio. Suplici vive no mundo da Lua e continua achando que tem gente que mata só porque não tem “renda mínima”. (Se isso fosse verdade, eu seria um serial killer.) Já o pai da garota – um habitante da Terra brasilis – acredita que reduzindo a maioridade no tocante à responsabilidade penal o problema se resolverá. Poxa vida, o próprio Suplici era uma prova explícita de que tem gente grisalha ainda na adolescência! De que adianta prender moleque de 16, 12 , 8 ou sei lá quantos anos, se os adultos deste país – eu inclusive – estamos cada vez mais infantilizados? Eu acho que deveríamos é elevar essa tal maioridade para uns 40 ou 50 anos e botar essa gente toda de volta no berçário. Tenha a santa paciência…
Eis algumas fotografias do meu ex-sócio e (ainda) amigo Dante.
