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17/06/2002

Mais um texto e mais…

yuri vieira (SSi), 7:23 pm
Filed under: amigos,Umbigo

Tentar sobreviver como escritor neste país é ridículo. Acho até que vou começar a usar um macacão tipo fórmula 1, cheio de anúncios publicitários. Se é possível escalar montanhas com patrocínios, por que não o seria escalar livros?

Bom, esta entrada é apenas para anunciar que coloquei uma carta de amor nos “textos seletos“.

Aos que me escreveram perguntando sobre minha amiga extraterrestre, por enquanto basta saber que é uma velhinha de setenta anos de idade – casada com um cara de vinte e cinco – ambos donos de uma padaria numa cidade do interior. Ela afirma ser uma “entrante” e me conta os “causos” mais improváveis. Alguns amigos me dizem que ou ela é louca ou é muito esperta. Eu a acho uma grande personagem. Logo mais falarei sobre ela.

13/06/2002

Sobre eBooks

yuri vieira (SSi), 5:21 pm
Filed under: livros,tecnologia

Ontem, falei ao telefone com uma amiga que, apesar de ter “adorado” os primeiros capítulos do meu livro L.S.D.eus, acredita que só terá saco para lê-lo até o fim se o imprimir, uma vez que “ler no computador é muito chato, muito cansativo“. Bom, claro que não é má idéia imprimir o texto, mas, se a gente fosse fazer isto pra todo texto interessante que encontra, haja tinta, haja papel. Eu também concordo que ficar sentadão de frente pro computador – com as pernas esticadas cheias de sangue parado, a coluna torta – pode ser bem extenuante, principalmente para escrever. (Eu, por exemplo, arranjei uma cadeira onde posso ficar sentado de joelhos – provavelmente por algum tipo de atavismo – feito um japonês no ritual de chá. Um dia ainda compro um tatami e um notebook. Uma rede – de deitar, não uma LAN, de deitar mesmo – também funciona, tipo Gilberto Freyre.) Mas não acho que, para ler, seja tão ruim assim. Quem gosta de ler lê até de ponta-cabeça, sem falar que, para as novas gerações, um computador pode até ser mais comum que um livro. Eu – que leio na tela desde meu pré-histórico CP400-color – já cheguei a ler livros de 400 páginas na tela(PDF), como aquele que citei noutra mensagem, “El Mandril de Madame Blavatsky – Historia del Guru Occidental” ou “A Autobiografia de um Iogue Contemporâneo”, do Yogananda. Mas mal posso esperar o momento de poder comprar um PalmTop, um HandHeld ou um desses livros eletrônicos, como o coreano HieBook. Num aparelho desses você pode armazenar toda uma biblioteca. Imagine, viajar com 300 livros ocupando o espaço de um só! Os indecisos, claro, voltariam sem ter lido nada, mas… Enfim, quem quiser mais informações sobre eBooks, programas e aparelhos leitores, visite a eBooksBrasil.com. É possível começar lendo Shakespeare ou, se for adepto do pop, o último episódio de “A Caverna do Dragão“.

P.S.: esse cinco a dois foi demais!

06/06/2002

O guru ocidental

yuri vieira (SSi), 11:23 pm
Filed under: escritores,interiores,livros

Jiddu KrishnamurtiLi recentemente o livro El Mandril de Madame Blavatsky – Historia del Guru Occidental, de Peter Washington, e reforcei minha impressão de que essa onda de grupos “esotéricos” e de sociedades mais-ou-menos-secretas é bem mais que uma moda surgida de tempos em tempos nesse mundinho. Trata-se antes de verdadeiras batalhas – travadas mais por homens de grande vontade que por homens de grande espírito – pelo domínio das consciências de determinados grupos. Poucas são as exceções, tais como um Krishnamurti, por exemplo (foto). E é incrível como, ao tentar se isolar dos males do mundo externo, quase todo grupo ou comunidade se esfacela em mil e um conflitos internos, refletindo em seu microcosmos o drama macrocósmico exterior. Como já concluía o Riobaldo no Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa):

“Às vezes eu penso: seria o caso de pessoas de fé e posição se reunirem, em algum apropriado lugar, no meio dos gerais, para se viver só em altas rezas, fortíssimas, louvando a Deus e pedindo glória do perdão do mundo. Todos vinham comparecendo, lá se levantava enorme igreja, não havia mais crimes, nem ambição, e todo sofrimento se espraiava em Deus, dado logo, até a hora de cada uma morte cantar. Raciocinei isso com compadre meu Quelemém, e ele duvidou com a cabeça: – ‘Riobaldo, a colheita é comum, mas o capinar é sozinho…‘ – ciente me respondeu.”

05/06/2002

Crítica à mensagem anterior

yuri vieira (SSi), 11:15 pm
Filed under: cinema,Economia,Política

Meu amigo Daniel Christino – professor de filosofia com quem ainda mantenho construtivos “arranca-rabos” – me enviou uma crítica bem interessante a respeito do que falei sobre a lei 10.454. O que eu disse, apesar de escrito de supetão e com certas incorreções, pode se resumir nesta minha opinião: os capitalistas brasileiros – esses ocultos detentores da bufunfa – morrem de medo de arriscar sua grana em nosso cinema. Quando digo arriscar quero dizer isso mesmo: tentar obter lucro sob o risco de não consegui-lo. Não estou falando de filantropia, e muito menos extrapolei a área cinematográfica. Aliás, num país com impostos tão elevados como o nosso, qualquer empreendimento torna-se um risco elevado ao cubo em comparação com outros países onde a tributação é racional.

Também sei que o governo realmente gasta muito com publicidade. Aliás, uma ex-namorada minha de São Paulo – que trabalhou na campanha do Fernando Henrique – me contou como a produção do comercial sobre Itaipú teve de se virar com computação gráfica para aplicar “fios de alta tensão” nas nuas torres de transmissão filmadas, dias antes, numa tomada aérea. Tudo para mostrar aquilo que o governo havia… feito. Sim, o governo gasta muito com publicidade. Mas não são os únicos clientes.
(Continua…)

04/06/2002

Uma lei muy amiga…

yuri vieira (SSi), 11:00 pm
Filed under: cinema,Política

Eu, como roteirista, deveria achar uma maravilha a tal lei 10.454 recentemente sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Sim, pois além de a dita cuja elevar o teto da Lei do Audiovisual (de R$ 3 milhões para R$ 6 milhões) e da Lei Rouanet (vai para 95% do valor total aprovado), ainda estabelece um certo Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica), que irá taxar, com alíquota de 11%, as remessas ao Exterior de lucros com a exploração de obras cinematográficas e videofonográficas no Brasil. Claro que, não sem razão, muitas distribuidoras internacionais atuantes no País já estão apelando à Justiça. À primeira vista pode parecer justo querer dificultar o domínio desses blockbusters americanos sobre nossas imaginações. Mas quem vai ao cinema assistir a todos esses shows pirotécnicos de milhões de dólares não vai forçado. Vai porque quer, vai porque é livre para decidir o que fazer com seu dinheiro. (Aliás, fazer o quê se os americanos são bons para entreter? Resposta: entreter.)
(Continua…)

30/05/2002

Viagens intergaláticas

yuri vieira (SSi), 10:39 pm
Filed under: Ciência,especulativas,extraordinárias

Veja o que disse o astronauta Edgar D. Mitchell, chefe da expedição Apollo 14 (de 1971) em entrevista a Alan Vaughan, da New Realities Magazine:

« Quanto à vida mais inteligente, não duvido de que exista em algum outro lugar do universo e, muito provavelmente, em nossa própria galáxia. (…) Precisamos fazer novas aberturas científicas para ir além da limitação da velocidade da luz, ou provavelmente não encontraremos outros seres, porque as distâncias são imensas. Esse é um longo caminho para o futuro, mas acredito que algum dia faremos contato com vida inteligente em outro sistema solar. E não tenho muita certeza se precisaremos do programa espacial para tanto. Pode estar extremamente longe e ser hipotético, mas, se o fenômeno da projeção astral tiver qualquer validade, poderia ser uma forma viável de viagem intergalática e certamente muito mais segura do que o vôo no espaço.»

Alguns dos meus amigos me acham um tanto louco por também afirmar esse tipo de coisa. Claro, há a diferença de que, segundo depoimentos que ouvi, este sonho do Mitchell já é realidade para muita gente.

28/05/2002

Unidade Prata

yuri vieira (SSi), 10:09 pm
Filed under: extraordinárias,livros

Semanas após iniciar meu livro Eu odeio terráqueos!!, encontrei e li o livro on-line Unidade Prata de um certo Aldomon. Embora fique claro que o autor não tem pretensões literárias, verdade é que – pelo menos para quem vê o mundo mais ou menos como eu vejo – o livro empolga como um Júlio Verne. E o elemento fantástico é o seguinte: Aldomon afirma ser tal livro sua autobiografia. De um cara nascido no estado de Goiás creio que o vulgo esperaria algo, digamos, “country”, uma coisa meio Leandro&Leonardo. Só que o que lemos é a história de como ele, Aldomon, chegou a descobrir quem ele realmente é (ou diz ser): o comandante de uma nave mãe – a Unidade Prata (integrante da frota liderada pelo ser arcangélico Ashtar Sheran) – encarnado na Terra com o intuito de esclarecer os objetivos de tão improvável comando extraterrestre. Se minhas pretensões com meu livro tivessem alguma semelhança com o que ele faz ali, eu morreria de inveja. Porque o livro dele dá ou um puta filme de ficção científica ou um excelente mangá. (Aliás, pretendo adaptá-lo para roteiro.) O contraste entre sua morgação diurna – típica do adolescente sem rumo – e suas várias tarefas noturnas – em projeção astral e a bordo de naves e cyberarmaduras – é realmente digno de cinema. Ou de vídeo-game.

“Peraí, e o que ele diz é verdade?”

Bom, se fosse, ele seria quase um Neo (Matrix), só que sem a prepotência messiânica, já que afirma serem muitos os ETs infiltrados por aqui.

“Pô, cara, você não respondeu: é verdade ou não é?”

Vai saber…

Si hay gobierno…

yuri vieira (SSi), 4:56 pm
Filed under: escritores,Política

Ao maxsan@ que, após ler meu texto sobre o desarmamento civil, me pergunta – pelo que pude perceber, cheio de espanto – qual é afinal meu “posicionamento político”, devo dizer que hoje penso mais ou menos como o meu pai: seja de esquerda, seja de direita, “si hay gobierno, soy contra”. Mas atenção, isto não quer dizer que eu seja anarquista. Como Lao Tsé, acredito simplesmente que o melhor governo é aquele que menos aparece, aquele que menos enche o saco (o meu, de pentelhações, o dele, com nosso dinheiro). Aliás, sua única função é garantir a paz, nada além disso. Caridade é coisa do coração e deve ser exercida em primeira pessoa, por nós, narradores de nossas próprias vidas individuais e não em terceira pessoa – ou terceira via – pelo papai Estado. Já tenho um pai carnal e outro espiritual, não preciso de um político, uma vez que esse costuma tratar a seus supostos filhotes mais como o rústico dono da gata do que como a própria gata: afogando-os se são “demais”.

Acho que estes trechos de editoriais escritos pelo poeta Walt Whitman (em 1846/47) – citados por Gary M. Galles – resumem a parada:
(Continua…)

27/05/2002

As Cartas de Lewis

yuri vieira (SSi), 12:34 am
Filed under: escritores,Religião

Seguem as cartas do escritor C.S. Lewis prometidas na nota anterior. (Em ingrêis, mano.)

The following letters by C. S. Lewis were written to Sheldon Vanauken, who ultimately wrote the best-selling book A Severe Mercy. Mr. Vanauken asked Lewis for the right to use the letters in his booklet “Encounter with Light,” and Lewis gave permission. Mr. Vanauken subsequently put the letters in the public domain.
(Continua…)

24/05/2002

Quem nasceu primeiro: Deus ou o homem?

yuri vieira (SSi), 10:42 pm
Filed under: especulativas,Religião

Um leitor — que assina com o adorável pseudônimo de “Clô Aka” — me escreveu a respeito do texto Neste Natal, Solte Sua Imaginação, afirmando que, apesar de ser fã de literatura fantástica, acha uma sandice acreditar que o universo possa ter uma organização tão “humana” quanto aquele ali descrito. Ora, podemos dizer que essa questão não é senão uma espécie de antinomia, um antagonismo entre duas posições igualmente defensáveis: uma primeira afirmando que nós, ou melhor, nossa “humanidade” é que é semelhante à Divindade; outra que, como a do Clô Aka, acredita que essa suposta Divindade, com que tantos “desperdiçam sua fé”, é que é criada por nós à imagem e semelhança de nossas próprias imperfeições. Enquanto não houver provas concludentes para qualquer dos lados, o negócio é soltar a imaginação. Alguns preferem achar que o universo se parece mais a uma grande máquina que a um de nós, pobres mortais, ou à obra de um Deus. O filósofo Olavo de Carvalho — sempre imperdível — escreveu um ótimo texto sobre o tema: O homem-relógio. Não deixe de ler, amigo leitor de nome cheiroso.

23/05/2002

Meu blog

yuri vieira (SSi), 6:46 pm
Filed under: este blog,Umbigo

Hesitei por muito tempo antes de iniciar meu próprio blog. Sim, pois não queria montar aqui um mero confessionário on line no qual meus parcos leitores não vissem senão o óbvio: que sou “apenas” um ser humano. (Talvez devesse acrescentar: um ser humano metido à besta, já que parece ser este o blogueiro típico.) Pois é, precisei antes definir uma linha, um alvo, sem ficar no banal do dia-a-dia. Afinal, as pessoas adoram comprar biografias só para descobrir, por exemplo, que Poe, além de “poedar”, também peidava (desculpe, não resisti); que Maupassant era, além de genial, um azarado que pirou graças à sífilis contraída muito provavelmente de uma prostituta (dizem as boas línguas que foi hereditária); que Freud desmaiava frescamente cada vez que se deparava ou com o porvir inexorável da própria morte, ou com a possível morte de seu legado; que Chaplin, em sua autobiografia, e talvez por trauma à pobreza passada, passa mais tempo falando de dinheiro que de sua família; que Chopin era, no dia-a-dia, a “esposa” da George Sand; que Henry Miller abandonou uma filhinha de três anos e só a reviu trinta anos depois; que Uccello largava na cama sua injuriada mulher para ficar suspirando diante de uma tela: “que coisa doce é a perspectiva!”; que Einstein, sem sofrer a mesma discriminação equívoca, era tão disléxico quanto George Bush jr; que Jimmi Hendrix foi paraquedista do exército e acreditava, para espanto dos integrantes de sua banda, que a ação norte-americana no Vietnã era legítima; que Albert Camus quase morreu de tédio em sua viagem pelo Brasil; que David Lynch guarda, sobre a lareira da sua casa, um vidrinho com o útero de uma amiga mergulhado em formol (eca!); que boa parte do tom rancoroso de Karl Marx, em “O Capital”, deve-se, segundo ele mesmo, aos doloridos furúnculos e carbúnculos que lhe infestavam a bunda; que Krishnamurti viveu um triângulo amoroso inusitado com um colaborador e a mulher deste; que certo “benfeitor” de Van Gogh usava seus quadros para tapar os buracos dum galinheiro; que Lima Barreto criou a Liga Brasileira Contra o Futebol e achava um absurdo a crença geral de que tal esporte “levaria longe o nome do Brasil”; que Goethe, para horror do pavio curto do Beethoven, inclinou-se reverentemente diante de Napoleão; que Mishima fazia protestos estudantis, não pintando a cara, mas o chão com suas próprias tripas; e, finalmente, que São Francisco de Assis, além de ser um grande homem, também peidava. Santamente.

Sim, é verdade, as pessoas amam descobrir as pequenezes alheias para se sentirem maiores por dentro. Querem rebaixar os grandes para elevarem-se a si mesmas. Mas eu… bem, não quero ser apenas um fofoqueiro de mim mesmo, não quero exibir minha mediocridade – ou pior, minha animalidade – para alcançar uma identificação rasteira com quem me lê. O que me atrai é o “fantástico”. (Não estou falando do programa da Globo não, engraçadinho.) Tampouco quis reunir um elenco de literatos viciados em Borges, Bioy Casares, Bulgakhov, Poe, Lovecraft, etc. para falar do “fantástico” de tabela. Prefiro ser direto, buscando as fontes, acreditando, como os antigos gregos, que se a Arte é um tipo de “cópia” (mímese) do mundo real, então vamos buscar o fantástico na realidade, sem fazer “cópia” da “cópia”, sem mimetizar, enquanto tema, as obras já consagradas.

E, claro, vezenquando não farei outra coisa senão falar e refalar de literatura, política, religião, arte, ciência, enfim, da realidade cotidiana, esse fluxo fantástico de tempo-espaço sobre um eixo eterno e transcendente: a Vida.

Seja o que Deus quiser!

Siron Franco e o MST

yuri vieira (SSi), 8:23 am
Filed under: Arte,plásticas,Política

Minha namorada conversou hoje com o Siron Franco e descobriu que o cara andava sumido porque estava em Caracas, passando uns dias com o grupo revolucionário que o seqüestrou. Só foi liberado após jurar que precisava retornar ao Brasil para terminar um trabalho que homenageará o MST. (O que, aliás, parece ser verdade.) Realmente, o cara foi esperto, afinal, não são todos farinha de manobra do mesmo saco vermelho?



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