Arquivo para a categoria "Cotidiano"




29/04/2008

Critérios

ronaldo brito roque, 8:48 pm
Filed under: Cotidiano,Esportes,Humor,Política

Declaração de Ronaldinho à imprensa:

“Posso curtir um traveco de vez em quando, mas nunca matei meu filho”.

Declaração do ex-prefeito de Nova Iorque:

“Pelo menos eu tenho bom gosto”.

Declaração de Ronaldinho ao ver o traveco sem roupa:

“Nossa, que clitóris grande”.

23/04/2008

Enquanto isso, em Brasília…

ronaldo brito roque, 4:08 am
Filed under: Cotidiano,Política

Entreouvido no Congresso Nacional:

“Posso ter desviado 100 milhões, mas nunca matei um filho meu!”

21/04/2008

Pela janela

daniel christino, 2:59 am
Filed under: Cotidiano,especulativas,Imprensa

Da janela da minha sala na Universidade eu vejo um recorte geométrico do bosque. De vez em quando passam guinchando alguns macacos-prego, como num documentário do Discorevy Channel. Olham-me com urgência, assustados. Desacostumados ao pasmo sempre renovado de ver, em seu aquário de aridez, um ser humano, parecem interrogar-se sobre a possibilidade evolutiva de um animal tão estranho. E eu observo de volta. Um deles, uma fêmea, traz nas cócoras seu filhote. O macacaquinho se agarra firmemente ao pêlo da mãe, enquanto ela salta de árvore em árvore, agilmente, tentando encontrar alguma lata de refrigerante ou restos de um salgado comido pelas metades.

Numa outra janela piscam anúncios em flash. Dentro dela (ou fora daqui!) alguém me diz que uma menina foi atirada pelo pai e pela madrasta do apartamento onde moravam, no sexto andar. Eu observo os acusados jurarem inocência. Estou espantado. Noutra reportagem o apresentador se pergunta porque o caso mobilizou tanto a atenção das pessoas. Assisto a matéria. Fala um psicanalista, um sociológo e outro psicanalista. Nenhum deles diz nada sobre o repórter nem sobre o programa. O interesse das pessoas é tratado como um fato natural e a peça jornalística que nos convoca a atenção não é tematizada. É como se não estivesse lá, como se fosse transparente.

Sinto-me dentro de um cubo geométrico translúcido. A metáfora das janelas se desdobra em várias faces. Eu vejo os macacos, que me vêem, e vejo os pais da menina que não me vêem e vejo a forma de expressão da manipulação dos interesses, que não quer ser vista. Só não vejo a inocência, só não vejo o humano. A inocência atravessou a janela e se espatifou no gramado úmido.

Talvez o combustível da emoção seja o pathos da morte. Não uma morte qualquer. Não uma boa morte, coroação de uma vida plena. Mas a morte da inocência, o terror. Um pathos egóico, sem dúvida, porque vivido na tensão interior do expectar. Não o pathos da vida, a compaixão, mas o pathos associado, desde Aristóteles, às narrativas trágicas. Muitos de nós vivenciamos a morte de Isabella Nardoni pelas narrativas elaboradas pela mídia, embora ela se esforce para nos convencer de que é apenas uma janela, um meio através do qual algo nos vem ao encontro. Por que esta tragédia – assim como várias outras – nos mobiliza a atenção? Exatamente porque é uma tragédia. Porque o drama nos é apresentado num esquema estruturado de compreensão, cujos elementos nos exigem uma determinada emoção, como num script cognitivo vivenciado milhares de vezes.

Mas o terror, por outro lado, é real. A própria idéia de que a inocência está sob constante ameaça no mundo nos enche de pavor verdadeiro. Quanto mais repassamos, auxiliados pelas reconstituições minuciosamente ilustradas dos portais da Web, o que pode ter acontecido no apartamento, mais nos assustamos com o que nós somos. A forma nos ajuda e nos afasta desta disposição para o terror. Ela trai e adia esta experiência fornecendo um esquema conhecido de interpretação, ela nos torna expectadores; põe grades na janela, nos impendindo uma “queda em si”.

Na verdade se pudéssemos atravessar o palco e espiar as coxias do teatro do simbólico, perceberíamos o caráter farsesco de todo este drama. No jogo absurdo de janelas, caro leitor, algo nos elude. Na transparência entrevemos algo opaco, brumoso, adiáfano. E o que encontramos – perdidos na vertigem do olhar – não é outra coisa senão um enorme e polido espelho. E nele, a nos fitar, nossos olhos enormes de macaco.

17/03/2008

Idéias Geniais

pedro novaes, 9:50 am
Filed under: cinema,Cotidiano,Educação

Pelo menos dá um certo alento a gente ver que não é só por aqui que surge este tipo de idéia idiota. Da Folha Online. Talvez haja algum brasileiro ou petista infiltrado lá.

Liverpool ameaça censurar filmes com cena de fumo

da BBC Brasil

O Conselho Municipal de Liverpool, que governa a cidade do noroeste do Reino Unido, está ameaçando impor uma “censura 18 anos” a filmes que contenham cenas de fumantes.

A cidade poderia utilizar leis municipais de licenciamento para tornar mais rigorosa a exibição de filmes com este tipo de conteúdo, informa o repórter da BBC em Liverpool Rowan Bridge.

As ameaças vieram depois que o órgão que classifica as obras cinematográficas no Reino Unido, o BBFC (Comitê Britânico de Classificação de Filmes, na sigla em inglês), indicou que não tem intenção de criar uma regra restritiva com base nas cenas de cigarro.

Por isso, as autoridades liverpudlianas se mostraram dispostas a agir unilateralmente, mesmo sem a cooperação do BBFC.

Elas alegam que a medida poderia evitar que adolescentes sejam seduzidos pela imagem glamourosa do cigarro nas telas.

Liverpool já detém o título nada honroso de capital inglesa do câncer de pulmão, estando entre as localidades com mais taxa de fumantes do Reino Unido.

A organização Now Smoke Free Liverpool, aliada do Conselho Municipal na campanha, diz ter evidência de que metade dos adolescentes americanos que fumam adquiriu o hábito sob influência, entre outros fatores, do que é mostrado nas telas.

28/02/2008

Domingo em Varanasi

rodrigo fiume, 2:43 pm
Filed under: Cotidiano,Viagens

25/02/2008

Namaste — 6

rodrigo fiume, 12:47 pm
Filed under: Cotidiano

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24/02/2008

Namaste — 5

rodrigo fiume, 12:46 pm
Filed under: Cotidiano

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Figura erotica esculpida em templo de Khajuraho, India

Monstruosidade

daniel christino, 8:55 am
Filed under: Arte,baladas,Cotidiano,memória

Em 1991, quatro amigos meio entediados com o dia-a-dia do curso de Jornalismo da UFG decidiram fazer uma festa diferente de tudo quanto rolava na época (a mania era acrescentar “a festa” depois do nome, p.ex., medicina, a festa!). Ao mesmo tempo, um amigo comum – Júlio Vann – comentou sobre um bar no centro de Goiânia – Controvérsia, antigo Querelle – precisando desesperadamente de algum evento para ampliar a clientela, muito restrita e muito underground. Santa conveniência celebrou o casamento. Os amigos eram eu, Yuri, Leo Rasuk e Luis Fernando Pudim.

E não é que hoje eu leio, no Popular, que o selo musical do Leo, a Mostros Records, firmou um acordo com a Trama – do irmão da Maria Rita – e muito provavelmente será um selo escancaradamente nacional este ano. E isso 10 anos depois de começar, com a primeira edição (festa?!) do Goiânia Noise.

O Leo é um cara quieto. A fim de planejar a festa, fomos para o apartamento dele num edifício da T-9. O que me espantou não foi tanto seu empenho em nos deixar a vontade, mas a imensa aparelhagem de som que ocupava uma parede inteira da sala. Enquanto eu e o Yuri discutíamos alguma coisa, ele o Pudim conversavam sobre a lista de músicas da festa (lembro-me deles pararem a festa para tocar a introdução de Carmina Burana antes da música Losing my Religion do REM). O Leo sempre foi completamente apaixonado por música. E gostava de manter-se atualizado em relação aos lançamentos e bandas internacionais. Daí o dito pelo João Marcello Bôscoli não soar novo para mim.

Para João Marcello Bôscoli, músico, produtor e diretor artístico da gravadora paulista Trama, o fato de a Monstro estar fora do chamado eixo gravitacional do mercado cultural brasileiro (Rio-SP) foi uma dificuldade que acabou virando um diferencial. “Se você pensar em termos de mídia, de maior projeção no início, sim, estar fora do eixo é um problema. Mas a honestidade estética desses caras foi tanta que eles viraram um eixo. Não adianta tergiversar, a Monstro hoje é o maior selo de rock do País”, diz o filho de Elis Regina, comentando que “o aspecto artesanal” e o “carinho no processo de produção dos discos” são as coisas que mais o agradam no trabalho da Mostro.

Ele planejam também abrir uma editora este ano. Parabéns Leo. Você merece. Abaixo vai a programação da Mostro para o ano.

Confira a programação da Monstro para este ano, em comemoração aos dez anos do selo e produtora:

¤ 27 de março – lançamento do novo CD da banda Violins (Rendenção dos Corpos)
Local: Bolshoi Pub

¤ 10 de abril – lançamento do novo CD da Jupiter Maçã (Uma Tarde na Fruteira)
Local: Bolshoi Pub

¤ 18 de abril – show Music for Anthropomorphics, baseado no disco da Mechanics (com participação de Fabio Zimbres)
Local: Centro Cultural Goiânia Ouro

¤ 8 de maio – lançamento do CD Macaco Bong (Artista Igual Pedreiro)
Local: Bolshoi Pub

¤ 23 a 25 de maio – 10ª edição do Festival Bananada
Local: Centro Cultural Martim Cererê

¤ 19 de junho – lançamento do CD da banda Sick Sick Sinners (Road to Sin)
Local: Bolshoi Pub

¤ 5 de julho – Festa Monstro 10 Anos
Local: Ambiente Skate Shop

¤ 1º e 2 de agosto – 3ª edição do Antimúsica Rock Festival
Local: Centro Cultural Martim Cererê

¤ 19 a 21 de setembro – 4ª edição da Trash – Mostra Goiânia de Video Independente
Local: Centro Cultural Goiânia Ouro

¤ 18 de outubro – lançamento oficial da 14ª edição do Goiânia Noise Festival, com a banda Mudhoney (EUA)
Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer

¤ 21 a 23 de novembro – 14º Goiânia Noise Festival
Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer

22/02/2008

Namaste — 4

rodrigo fiume, 12:44 pm
Filed under: Cotidiano

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Homem santo hindu, em Varanasi, India

21/02/2008

Namaste — 3

rodrigo fiume, 12:21 pm
Filed under: Cotidiano

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Amanhecer no Rio Ganges, em Varanasi, India

20/02/2008

Café preto no Ministério

yuri vieira, 1:49 pm
Filed under: Cotidiano,Política

Talvez seja apenas um preciosismo de gente chata, mas não consigo deixar de me perguntar o porquê de o ministro da Igualdade Racial ter de ser sempre um negro. Um amigo de São Paulo me disse que conheceu um ótimo advogado, formado no Brasil, mas nascido no Irã. Aposto que há menos persas no Brasil que negros. Não poderiam convidar esse advogado para ministro da Igualdade Racial? Há ainda muitos coreanos, chineses, japoneses. (Um amigo meu, coreano, é capaz de afundar o nariz de quem quer que afirme serem esses três povos membros da mesma raça.) E nem falamos dos judeus… Ei! Espere aí! E os índios? O ministro não poderia ser um índio? Nada mais natural. Claro, isso poderia iniciar uma briga entre diferentes etnias indígenas, cada qual apresentando o seu candidato, mas seria um primeiro passo. Ou será que só a raça negra precisa ser… igualada? Eu tive uma tataravó negra que, digamos, “igualou” com meu tataravô italiano. Depois de várias igualadas mais — com portugueses, índios, cristãos novos (judeus) — surgi eu. Isso é que é igualar? Se é, não precisamos de ministérios, mas de casamenteiros. Acho que Gilberto Freyre concordaria.

Não me lembro quem me contou o causo a seguir. O sujeito estava viajando de Brasília para Goiânia e, no meio do caminho, sonolento que estava, decidiu parar e tomar um café. Entrou numa dessas lanchonetes de posto de gasolina e pediu:

“Por favor, me vê um café preto?”

O atendente fez um muxoxo, pegou uma xícara e foi à máquina. Voltou com o café fumegante.

“Tá aqui. Mas, olha, não precisa falar comigo desse jeito. Eu sou preto mas sou limpinho.”

O freguês arregalou os olhos, sem saber o que dizer. Na terra dele — Minas? Paraná? — era costume dizer “café preto”, talvez uma redundância perceptível apenas em outras regiões. Mas, poxa vida, ao fazer seu pedido, ele não fez nenhuma pausa entre o café e o preto. Como o atendente podia pensar que ele era capaz de se dirigir a alguém daquela forma? Ficou tão constrangido que achou melhor não tentar esclarecer nada, a emenda poderia sair pior que o soneto. Bebeu tudo num gole, pagou, saiu de fininho. Percebeu que outros fregueses, chegados apenas momentos antes da fala do atendente, o olharam cheios de censura, quase com rancor. Nunca mais pisou ali…

Eu jamais seria hipócrita a ponto de afirmar que não há racismo no Brasil. Ou em qualquer outro lugar. As diferenças raciais, em seus aspectos físicos (o fenótipo), são evidentes, por mais que venham nos dizer que os genes (o genótipo) são praticamentes iguais. Creio que haja outras diferenças, em termos de temperamento, por exemplo, bastante marcantes e que seria horrível se eliminadas. A variedade é sempre bem-vinda. Assim, a intenção de igualar só pode ser justificada no tocante aos direitos. Mas, para tanto, não basta que a Justiça seja… justa? E este não é o trabalho do Ministério da Justiça? Qual é então a função desse ministério da Igualdade Racial? Vigiar os tribunais de justiça? Policiar a polícia? Enquadrar cidadãos racistas?

Meus pais tiveram, anos atrás, uma diarista negra. Talvez ela tivesse tido mais sucesso como humorista do que como empregada doméstica, mas, enfim, foi contratada não para fazê-los rir e sim para arrumar a casa. No entanto, ela não deixava de contar casos hilariantes do Tocantins, seu estado de origem. Seu personagem cômico preferencial: o índio. Contava ela que nunca, em seus vinte e um anos de vida, nunca vira um índio a andar solitário pelas ruas ou pela estrada.

“Os índios vivem em cardume”, dizia.

“Um dia, eu viajava pra Porto Nacional com meu tio, numa D-20, e então, mais adiante, à beira da estrada, vimos um índio pedindo carona. ‘Vou parar’, disse meu tio, que então perguntou ao índio aonde ele pretendia ir. Esse respondeu que até Porto Nacional. ‘Pode subir’, murmurou meu tio, orgulhoso de sua boa vontade. O índio então virou-se para trás e gritou ‘Ouuuuuhhhh!!’, deixando-nos assustados. Era um ponto da estrada em que, de ambos os lados, havia barrancos, já que aquele trecho havia sido aterrado para evitar as cheias do riacho próximo. Assim que o índio gritou, surgiram dos dois lados da pista cerca de vinte outros índios que, sem a menor cerimônia, foram subindo na carroceria da caminhonete, que chegou a empinar a dianteira com todo aquele peso. ‘Mas que filho da mãe!’, sussurrou meu tio, puto da vida. ‘Por que ele não disse que estava acompanhado pela tribo inteira? Que safado!’ E assim seguimos até Porto, onde o cardume saltou sem dizer um ai sequer de agradecimento.”

E ela tinha outras histórias.

“Uma vez, eu tava na casa da minha mãe, conversando com ela e com uma vizinha, quando alguém então bateu palmas na porta de casa. Fui olhar: era um índio. Estava só e queria saber se podia pegar algumas mangas no quintal de casa. Mamãe adorava fazer doces e, por isso, tinha ali um pomar bem variado, embora naquela ocasião apenas a mangueira estivesse carregada de frutos. Minha mãe foi à porta, achou-o simpático, disse-lhe que poderia se servir de quantas quisesse, voltando em seguida para dentro de casa, onde, pois, continuamos a conversa. De repente, ouvimos uma algazarra tão grande, que parecia haver uma parada na rua. Ao olhar pela janela, vimos cinco índios trepados na mangueira, enquanto outros doze colhiam as frutas que os primeiros jogavam para baixo. Eram tantos e tão animados, que não sabíamos se ficávamos com medo ou com raiva deles. Desta vez, o índio que pediu autorização veio nos agradecer, mas fingiu que não entendeu quando mamãe reclamou por ele não ter avisado que eram tão numerosos. Foram embora com sacos e sacos de mangas. Quando chegamos ao pé, não havia restado um fruto sequer. Lá em casa, ninguém confia em índio…”

Eu pergunto: há racismo nessa última afirmação? Se há, o ministério da Igualdade Racial se pronunciaria a respeito? Ou o verdadeiro nome do ministério é Ministério da Raça Negra? (Lembre-se: essa diarista era negra.) Eu realmente não entendo essa ausência de rodízio racial na direção do dito cujo. Não apenas o novo ministro também é negro como os candidatos preteridos também o eram. Eu pensaria duas vezes se, caso fosse funcionário ali, decidisse seguir as tradições do soporífero serviço público e fosse até a cozinha pedir um café preto

15/02/2008

A porta estreita

daniel christino, 1:09 am
Filed under: Cotidiano,Imprensa,internet,Política,Religião,sites

É realmente estreita. Já dizia André Gide, num romance homônimo que tomei emprestado da Rosa há muito tempo. A expressão, na verdade, é do evangelho de Mateus (“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição”). Significa o que você acha que significa: é difícil seguir pelo caminho correto, porque é cheio de sacrifícios.

Obviamente tinha a ver com a época – “naquele tempo” os cristão eram perseguidos, torturados, queimados ou devorados vivos por leões, além, é claro, da crucificação que dispensa comentários. Então escolher o cristianismo era quase sempre escolher a dor e o sacrifício. Mais fácil seria contemporizar com o poder.

Atualmente a expressão tem outro significado. Ainda significa que há um custo existencial muito pesado em ser cristão (em qualquer denominação). Nada exemplifica melhor isso do que um post do Tio Rei sobre a morte do terrorista Imad Mughniyeh. Justificando sua felicidade com a morte do assassino, diz Tio Rei

O que fazer diante desse delírio? Entregar-se em holocausto? Ficar esperando o próximo ataque dos Imads? Oferecer a outra face? A nossa face ou a face da imensa massa de inocentes mundo afora? Olhem aqui: não preciso recorrer a Deuteronômios para endossar o ato. Apelo ao direito à autodefesa. Temos de fazer, nesse caso, como Nasser fez no Egito, em 1966, com Sayyd Qutb, então principal ideólogo da terrorsita Irmandade Muçulmana: forca. Anuar Sadat, lembram-se dele?, resolveu relaxar o cerco à turma. Foi assassinado. A morte de qualquer homem nos diminui. A de um terrorista nos eleva e consola. E nada nos impede de rezar por sua alma.

Pois é. Em outro lugar ele diz coisas como “dá pra matar, de modo cristão (afinal, aquele livro do Velho Testamento é acatado pelos católicos), apelando à letra do texto bíblico”. Obviamente, ele não poderia citar o Novo Testamento.

Tio Rei faz parte de um grupo de católicos associados a um tipo ideal (Weber) de religioso exemplificado pelo personagem de Robert De Niro no filme A Missão – o outro tipo, também ideal, é o personagem de Jeremy Irons. Se vocês se lembram do filme, enquanto uma expedição espanhola se preparava para dizimar a tribo indígena na qual estão os dois religiosos, cada um assume uma postura diferente diante do destino. Enquanto o personagem de Irons organiza um procissão, De Niro organiza uma defesa: arma os índios e prepara armadilhas. Representam duas formas de catolicismo, igualmente presentes no livro (e filme) A Última Tentação de Cristo: a cruz e o machado. Já sabemos a opção de Cristo.

O problema com a postura do Tio Rei é apenas um: sob determinadas condições, a vida deixa de ser um valor. Simples assim. Quais as condições? Autodefesa (dele? como assim?). E quando nossas vidas estão em perigo? Quem é o juíz disso? Quem, no mundo humano, está em condições de julgar a vida de um indivíduo? Difícil.

Eu sei que nem preciso dizer, mas direi assim mesmo: se alguém quiser me matar, vai encontrar resistência. Pelo simples motivo de que quero continuar vivo. Se precisar matar quem me ameaça, eu o farei. E não irei para o inferno por isso. Logo, eu não tenho problema com a morte de um terrorista. Poderia justificar a pena de morte pelo mesmo argumento? Sim, mas não justifico, porque o problema da pena de morte é assumir que uma entidade abstrata e não humana, o Estado, tenha condições de julgar sobre a vida ou a morte de alguém.

Mas um cristão tem um problema um pouco maior do que o meu. Vejam, Moisés foi punido por matar um egípcio. Porra, Moisés era o cara que conversava com Deus – ele não falava com mais ninguém! Será que ele não se arrependeu? Provavelmente, mesmo assim o Deus-Pai (e não o Deus-Trino) do antigo testamento não permitiu-lhe entrar na terra prometida. Pedro foi admoestado por Jesus por cortar a orelha de um centurião romano. Uma pletora de Santos poderia ter resistido e lutado contra seus algozes, mas morreram como mártirs. Os exemplos abundam.

O que o Reinaldo está fazendo é perigoso para um católico. Lembrou-me aqueles monges com crucifixos em riste para que os hereges pudessem beijá-los enquanto ardiam nas fogueiras. Joana D´arc talvez seja o melhor exemplo de todos. Queimada viva e depois canonizada. É coisa da teologia medieval, dos milles Christi. Do que estou falando? Da relação entre uma ação e as conseqüências morais que daí derivam. Desconfio que o critério do Tio Rei é por demais utilitarista. Afinal, quantas pessoas não saíram lucrando com a morte do terrorista? Mas o princípio moral cristão não é utilitarista. Ele não pergunta quem sai ganhando com isso. Se o fizesse, justificaria todas as mortes em nome do bem comum. Justificaria também as mortes do Estado em nome do bem coletivo. Em certo sentido, não há nenhuma diferença entre Stálin e Tio Rei neste particular – apenas, é óbvio, uma diferença de intensidade. A justificativa para a morte é a mesma: o bem dos outros. Ou Tio Rei teme um atentado terrorista islâmico na porta da casa dele?

A porta estreita a que me referia é o fato de que, para um cristão, é melhor dar a vida do que tirá-la de alguém. O cristão confia em Deus, um princípio metafísico que vigora no mundo. E sua confiança é tamanha que ele é capaz de apostar sua vida nisso. O fato de que precisamos matar para nos defender diz apenas que nossa fé na intervenção divina é menor do que deveria. Um cristão não está indefeso diante de um terrorista, ele está com Deus e não há proteção maior. É uma loucura pensar assim? Se for, meu amigo, então é cada um por si, porque a “bala perdida” está mesmo perdida. É tudo randômico e nós temos que cuidar de nós mesmos. Se não é assim, então eu posso me tranqüilizar e continuar vivendo minha vida normalmente, porque Deus está comigo.

Talvez ele não tenha pensado bastante sobre isso, mas não creio que seja o caso. Ele já defendia postura igual na época da revista Primeira Leitura. Também não dá para imaginar que ele não tenha entendido direito o catolicismo, ele corrige até tradução de texto do Papa. Quando eu disse, noutro lugar, que havia uma “luxúria de morte” incrustrada na teologia cristã, era a isso que eu me referia.

10/02/2008

Rainy day

rodrigo fiume, 9:50 pm
Filed under: Cotidiano,fotografia

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Rainy day, dream away, let the sun take a holiday…

08/02/2008

Quem fala o que quer…

daniel christino, 4:34 am
Filed under: Cotidiano,Imprensa,internet,Mídia

Não sei até que ponto podemos dar um nó na semântica para escapar pela tangente. Sei apenas que a linguagem é um elemento vivo e entre o pensar e o expressar vai uma boa distância. Isso sem falar nos problemas de compreensão. Todavia, acho difícil alguém errar ao interpretar os textos do Reinaldo Azevedo como críticos ao governo – e, em boa parte deles, ele tem razão. Só que parece que o Tio Rei exagerou na dose e, apesar de todo seu cuidado moral, igualou os não-iguais.

Ele fez um balaio de gatos da questão dos cartões corporativos e o tiro lhe saiu pela culatra. Está lá um post de um funcionário de carreira do IBGE contestanto as ilações – e ele realmente fez estas ilações, só não foi saber se o dono do cartão era um indicado qualquer do lulismo, ou um sério funcionário público. E Tio Rei acusou o golpe, publicando, primeiro, o e-mail do funcionário (o meio mais correto de se evitar uma ação criminal por crimes contra a honra); mas se recusando a fazer uma retratação, porém, ao mesmo tempo, fazendo, ou seja, escreveu um post dizendo que não teria dito nada disso e que estava acusando o IBGE – como se, no caso dos cartões corporativos, a instituição não se confundisse com o funcionário (afinal este é exatamente o problema). Pois é, quem fala o que quer…

30/01/2008

Vizinhos — 2

rodrigo fiume, 2:30 am
Filed under: Cotidiano

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Aclimação, São Paulo

29/01/2008

Superpower Blues

daniel christino, 5:15 pm
Filed under: Cotidiano

Não, não é o nome de uma banda de blues. É uma excelente crítica sobre alguns lançamentos no mercado editorial americando tratando do excesso de medicamentos contra a depressão e do modo como a doença vem sendo tratada por especialistas, principalmente por psiquiatras. Parece que esse negócio do remedinho da felicidade tá fazendo água.

And psychiatry became Big Science. Because of the speed and effectiveness of the new drugs in treating conditions that traditional therapies struggled with for years, psychotherapists lost their leadership in mental healthcare. Amazing advances in brain imagery and neurosurgery only heightened therapists’ poky obsolescence. The bioengineers took over.

A matéria pode ser lida na íntegra aqui.



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