O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados…

Autor: pedro novaes Page 2 of 33

Na Natureza Selvagem

Livro

Sempre gostei dos livros e do estilo de escrita de Jon Krakauer. Foi em 1999, logo depois de traduzir seu “Sobre Homens e Montanhas” para a Companhia das Letras, que li “Na Natureza Selvagem”, seu relato sobre a história de Chris Mccandless, o jovem que abandonou sua família na Virgínia por uma vida na estrada e de aventuras ao estilo dos personagens de Jack London e inspirado por Thoreau e John Muir.

Ontem, fuçando nas minhas coisas, encontrei um artigo que à época escrevi para o jornal “O Popular”. Seu título é “Selvagem é o Concreto”. Tem um tom nostálgico e meio melodramático que dá uma certa vergonha. Infelizmente, só o tenho em papel, mas se tiver saco vou redigitá-lo para algumas reflexões. Pensar se ainda acredito no que dizia há quase dez anos – afinal, em outros campos, mudei radicalmente. Afinal, todo o mundo se encantou e ainda se encanta com as idéias de Thoreau e com uma certa visão romântica da vida liberta na estrada e junto à natureza.

Outro dia, meu amigo Nelson me ligou no meio da tarde. Saía da sessão de “Na Natureza Selvagem”, o filme de Sean Penn baseado na novela de Krakauer (trailer aqui). Quase fora atropelado na Paulista de tão atordoado. Dizia que saíra do cinema pensando em mim. Vá saber por quê.

Cartaz

O livro me causou forte impacto em 1999, e ontem, na expectativa da estréia do filme aqui no sertão, comecei a relê-lo e já não o consigo largar. As perguntas são sempre as mesmas e seguem essenciais, penso: o que realmente vale à pena? Vale trocar as montanhas pela segurança do cotidiano? Em tempo, eu não considero que tenha abandonado as montanhas, mas por ora tenho outras prioridades, antes de retornar a elas.

Chris largou tudo e foi viver no Alaska, depois de rodar metade dos Estados Unidos – a pé, de carona, de canoa. Morreu de inanição em meio ao inverno rigoroso.

Estranhos Critérios

Na Folha de hoje:

ELIO GASPARI

Em 2008 remunera-se o terrorista de 1968

A vítima, que ficou sem a perna, recebe R$ 571; Diógenes, da turma da bomba, fica com R$ 1.627

D AQUI A OITO dias completam-se 40 anos de um episódio pouco lembrado e injustamente inconcluso. À primeira hora de 20 de março de 1968, o jovem Orlando Lovecchio Filho, de 22 anos, deixou seu carro numa garagem da avenida Paulista e tomou o caminho de casa. Uma explosão arrebentou-lhe a perna esquerda. Pegara a sobra de um atentado contra o consulado americano, praticado por terroristas da Vanguarda Popular Revolucionária. (Nem todos os militantes da VPR podem ser chamados de terroristas, mas quem punha bomba em lugar público, terrorista era.)
Lovecchio teve a perna amputada abaixo do joelho e a carreira de piloto comercial destruída. O atentado foi conduzido por Diógenes Carvalho Oliveira e pelos arquitetos Sérgio Ferro e Rodrigo Lefèvre, além de Dulce Maia e uma pessoa que não foi identificada.
A bomba do consulado americano explodiu oito dias antes do assassinato de Edson Luís de Lima Souto no restaurante do Calabouço, no Rio de Janeiro, e nove meses antes da imposição ao país do Ato Institucional nº 5. Essas referências cronológicas desamparam a teoria segundo a qual o AI-5 provocou o surgimento da esquerda armada. Até onde é possível fazer afirmações desse tipo, pode-se dizer que sem o AI-5 certamente continuaria a haver terrorismo e sem terrorismo certamente teria havido o AI-5.
O caso de Lovecchio tem outra dimensão. Passados 40 anos, ele recebe da Viúva uma pensão especial de R$ 571 mensais. Nada a ver com o Bolsa Ditadura. Para não estimular o gênero coitadinho, é bom registrar que ele reorganizou sua vida, caminha com uma prótese, é corretor e imóveis e mora em Santos com a mãe e um filho.
A vítima da bomba não teve direito ao Bolsa Ditadura, mas o bombista Diógenes teve. No dia 24 de janeiro passado, o governo concedeu-lhe uma aposentadoria de R$ 1.627 mensais, reconhecendo ainda uma dívida de R$ 400 mil de pagamentos atrasados.
Em 1968, com mestrado cubano em explosivos, Diógenes atacou dois quartéis, participou de quatro assaltos, três atentados a bomba e uma execução. Em menos de um ano, esteve na cena de três mortes, entre as quais a do capitão americano Charles Chandler, abatido quando saía de casa. Tudo isso antes do AI-5.
Diógenes foi preso em março de 1969 e um ano depois foi trocado pelo cônsul japonês, seqüestrado em São Paulo. Durante o tempo em que esteve preso, ele foi torturado pelos militares que comandavam a repressão política. Por isso foi uma vítima da ditadura, com direito a ser indenizado pelo que sofreu. Daí a atribuir suas malfeitorias a uma luta pela democracia iria enorme distância. O que ele queria era outra ditadura. Andou por Cuba, Chile, China e Coréia do Norte. Voltou ao Brasil com a anistia e tornou-se o “Diógenes do PT”. Apanhado num contubérnio do grão-petismo gaúcho com o jogo do bicho, deixou o partido em 2002.
Lovecchio, que ficou sem a perna, recebe um terço do que é pago ao cidadão que organizou a explosão que o mutilou. (Um projeto que re- vê o valor de sua pensão, de iniciativa da ex-deputada petista Mariângela Duarte, está adormecido na Câmara.)
Em 1968, antes do AI-5, morreram sete pessoas pela mão do terrorismo de esquerda. Há algo de errado na aritmética das indenizações e na álgebra que faz de Diógenes uma vítima e de Lovecchio um estorvo. Afinal, os terroristas também sonham.

A Guerra de Charlie Wilson

Jogos do Poder

Assisti ontem a “Jogos do Poder”, intitulado originalmente “Charlie Wilson’s War”. O filme de Mike Nichols conta a história real do deputado democrata Charles Wilson e seu papel fundamental no apoio à guerrilha mujaheedin no Afeganistão em sua luta contra a brutal invasão soviética. De forma inédita, Wilson, que era membro do subcomitê no Congresso responsável pelo orçamento da CIA e de outros órgãos de inteligência, conseguiu mobilizar cerca de 300 milhões de dólares convertidos secretamente em armas para os afegãos por meio de uma impensável parceria entre Israel, Egito, Paquistão e Arábia Saudita.

O que torna ainda mais irônico o episódio são os hábitos de Wilson, um admitido farrista e mulherengo, consumidor de cocaína e uísque aos litros. Por suas aventuras, à época de suas articulações pela ajuda ao Afeganistão, ele sofreu um processo de investigação comandado por um promotor chamado Rudolph Giuliani, que acabou não dando em nada porque a única testemunha que afirmava tê-lo visto cheirando, disse que o fato de dera nas Ilhas Caimã, fora da jurisdição da promotoria.

O filme começa com Gust Avrakotos, o agente da CIA – magistralmente interpretado por Philip Seymour Hoffman – responsável pelas operações no Afeganistão tentando contar a Wilson uma história sobre um mestre zen que reflete o ponto de vista do filme e a grande lição sobre a ação americana em outros países, algo fundamental quando um dos temas mais quentes do debate eleitoral americano gira justamente em torno da retirada ou não das tropas do Iraque. Só ao final da história, entretanto, ele a consegue completar. Num pequeno vilarejo, um garoto ganha um cavalo e se rejubila: “que lindo cavalo! Que ótimo!”. Ao que o mestre responde: “Veremos”. Logo, o menino sofre um acidente com o cavalo e machuca severamente a perna, lamentado-se pela desgraça. O mestre zen mais uma vez diz: “veremos.” Uma guerra se instala na região e todas as crianças são recrutadas, menos o menino, pelo problema na perna. O menino fica feliz e o mestre retruca: “veremos”.

Derrotados os soviéticos, enquanto todos comemoravam, Avrakotos era quem dizia: “veremos”. Era hora de apoiar a reconstrução de um Afeganistão arrasado, mas todos os esforços do próprio Wilson foram em vão. Era bem mais fácil conseguir dinheiro para armas. O resultado foi a ascensão dos talibãs ao poder e o resto da história todos conhecemos.

O filme aborda com ironia e visão satírica o enredo verdadeiro de realpolitik. Foi bom apoiar a guerrilha e expulsar os soviéticos? Veremos. Sabe-se lá o que teria acontecido, tivessem eles consolidado seu domínio no Afeganistão? Dali poder-se-ia seguir uma aventura no Iraque, no Irã e sabe-se lá para onde mais. Expulsos os comunistas, pelo outro lado, o caminho nos leva diretamente ao talibã, à Al Qaeda, a Osama Bin Laden e ao 11 de setembro.

Gostei bastante do filme, embora não seja nenhuma obra prima. As interpretações são geniais e os diálogos impagáveis. O melhor, sobretudo, é o final interrogativo: foi bom?

Na América Latina, a vida imita a arte

A Folha de hoje noticia que o exército equatoriano tem um serviço de garotas de programa para “aliviar a barra” dos soldados em operações na selva. Vargas Llosa inspirando a vida.

Até soldados carregaram “lembranças”

DA ENVIADA ANGOSTURA

A cena do bombardeio visitada ontem pela comissão da OEA já era o resultado das intervenções pós-ataque das forças colombianas e equatorianas e ainda das caravanas de jornalistas que passaram pelo local desde 1º de março. Os próprios militares carregavam “lembranças”.
Na quarta-feira, primeiro dia em que a Folha visitou a área, um soldado se esforçava para arrancar um aplique com o rosto de Che Guevara de uma tenda militar. Destroços foram movidos de lugar e a chuva modificava as crateras deixadas pelas bombas. A OEA minimizou as alterações, dizendo que sua vistoria era “política” e não técnica.
O Exército equatoriano fez um esforço para dar à imprensa acesso ao local. A repórter pernoitou em um acampamento militar. Os soldados queriam contar as agruras da selva e seus atenuantes. Um deles é um “serviço de garotas”, gerido pelo Exército, mas pago com desconto no soldo, como em “Pantaleão e as Visitadoras”, de Mario Vargas Llosa.
Ex-responsável pelo serviço, o capitão Pablo Cortéz aceitou o satisfeito o apelido de “Pantaleão equatoriano”. “Católico que sou, vivia xingando as prostitutas. Agora sei que elas têm um trabalho difícil e muito útil”, justificou. As mulheres recrutadas pelo Exército ganham US$ 4 por programa, disse Cortéz, e há as que saem com até US$ 3.000 depois de 15 dias de serviço. “O nosso salário em média é de US$ 600.” (FLÁVIA MARREIRO)

Fundamentalismo Eclético

WBC

Nesta última sexta, vi uma das coisas mais bizarras dos últimos tempos. Alguém aí também assistiu a “A Família mais Odiada da América”, no GNT?

Sempre gostei das reportagens de viagens do Louis Theroux, que também já foram exibidas pelo GNT. Ele tem um jeito ao mesmo tempo honesto e respeitosamente cético com seus objetos que rende excelentes entrevistas e imagens.

Numa série de reportagens em que segue trabalhando para a BBC, Louis, que é filho do escritor Paul Theroux e cidadão britânico e americano, aborda, em viagens pelos EUA, temas como cirurgias plásticas e adição ao jogo. Neste primeiro episódio escolhido pelo GNT para exibição no Brasil, ele visita a Westboro Baptist Church.

Trata-se de uma igreja de orientação batista – embora não-afiliada a ou reconhecida por nenhuma associação ou linha batista formal nos EUA – constituída essencialmente por membros de uma mesma família – a comunidade toda se limita a 75 pessoas -, com sede em Topeka, estado do Kansas, e conhecida nos EUA por sua virulenta homofobia e pelos protestos em funerais de militares americanos mortos no Afeganistão e no Iraque. Crêem eles que o mundo está perdido, que os EUA são uma nação depravada, e que as mortes no Iraque são atos de ira divina, pelo serviço destes militares a uma nação afundada na luxúria e no despudor. Na verdade, como se pode observar em seu site oficial “God Hates Fags” (literalmente “Deus Odeia as Bichas”), toda e qualquer morte por catástrofe, natural ou provocada pelo homem, é comemorada pela igreja, que a toma como resposta divina aos pecadores.

É absolutamente bizarro e um pouco assustador, embora risível. Para se ter idéia, estas pessoas planejaram, por exemplo, um protesto para o funeral das vítimas do massacre na escola amish, na Pensilvânia, em 2006. Em seus cartazes, a WBC chamava as meninas mortas de “putas” (whores) e dizia que elas já “estavam queimando no inferno”. Os membros da igreja foram dissuadidos por um radialista que , em troca de sua desistência, ofereceu-lhes uma hora em seu programa de rádio.

Além da homofobia, a igreja tem declarações anti-semitas, anti-islâmicas, anti-católicas, contra a Suécia, como uma país defensor de homossexuais (o pastor Phelps, patriarca da igreja, atribuiu o alto número de mortos suecos no tsunami do Oceano Índico a isso), contra a Irlanda, a favor de Al Gore – por declarações pretéritas contra um projeto de lei pró-gays -, contra Bill e Hillary, a favor de Fidel Castro e a favor e contra Saddam Husseim.

Independente de tudo isso, o que mais impressiona na reportagem de Theroux é o fato de que nenhum dos membros da igreja abre a guarda em momento algum. Cada vez mais boquiaberto, o telespectador cria a expectativa de que, no momento seguinte, um deles haverá de ceder à lógica e conceder uma vitória às perguntas diretas de um entrevistador cada vez mais abismado. Alguém irá ver que está se contradizendo, vai gaguejar e recorrer a impropérios e à raiva, o que já seria algo. Mas não, friamente, as resposta seguem sempre na mesma linha. O único a vacilar é um pequeno membro da igreja, um neto de Phelps, com quatro ou cinco anos, que ao ler para Theroux uma série de regras de comportamento faz uma parêntese a “não mentir”, dizendo que “algumas pessoas às vezes mentem, principalmente quando são crianças”.

Theroux pergunta: “eu acredito que cada um deve poder fazer sexo com quem achar melhor, tenho uma filha com minha namorada e não sou casado? Eu vou pro inferno? A interlocutora sorri e responde que sim. “Você fica feliz com isso?” Ela torna a sorrir e a dizer que sim.

Acho que vale à pena assistir. Na verdade, não sei se eles merecem. Mas como fiquei chocado, resolvi compartilhar. Veja aqui as exibições programadas deste e de outros episódios da série.

Fé no Ministério

Marina

Será que vale o barulho? E se o pastor trabalha de verdade? Cabem cultos religiosos no interior de prédios públicos? Se pode culto evangélico, pode fazer despacho também? O Eco noticia o cargo e as atividades de um pastor da igreja da ministra Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente.

MINISTÉRIO DA FÉ

Aldem Bourscheit

19.01.2008

Um pastor da Assembléia de Deus, mesma igreja freqüentada pela ministra Marina Silva, integra os quadros do Ministério do Meio Ambiente (MMA) desde Agosto de 2005. Ele já usou a estrutura do órgão público para auxiliar na organização de ao menos um evento religioso, em 2007. E, segundo fontes ouvidas no ministério, não foi a única vez. Ele também dirige cultos evangélicos nas salas destinadas ao serviço público federal, freqüentados por servidores de todos os escalões.

A série de palestras, vídeos e debates Os Cristãos e a Criação – Responsabilidade Socioambiental, que começou em 25 de junho e se estendeu até 30 de julho de 2007, lançou a chamada Rede Jubileu da Terra no Distrito Federal. Um panfleto distribuído na ocasião, no Congresso e outros pontos de Brasília, traz o nome do pastor Roberto Vieira e dois números de telefone, um fixo e outro celular. O número fixo é do Ministério do Meio Ambiente, o mesmo divulgado como contato ao pé da página principal da 2º Conferência Nacional do Meio Ambiente – 2ª CNMA, onde Vieira trabalha. O impresso traz um retoque manual, já que os prefixos do MMA foram alterados na mesma época.

O pastor é o carioca Roberto Firmo Vieira, contratado como consultor pelo MMA com dinheiro do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para ajudar a organizar da Conferência Nacional do Meio Ambiente, evento bienal que reúne ONGs, setor privado e governos estaduais . Aos 50 anos, ele já trabalhou na Empresa de Correios e Telégrafos (1982-1984), no Ministério dos Transportes (2002-2003), na Câmara dos Deputados (2001-2002) e no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1985-1986), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Sua experiência na organização de eventos inclui experiências como o encontro Com Jesus são Outros 500, na Esplanada dos Ministérios (2000) e ainda a Marcha para Jesus e o Dia dos Evangélicos (2001).

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A Culpa é do diretor, parte II

Tenho insistido que o maior problema de nossa cinematografia digital, e sobretudo dos curtas que são feitos no Brasil, está na precariedade da direção de atores e no pouco caso com um trabalho mais embasado de preparação de elenco e construção de personagens.
A verdade é que a maioria toma a função do diretor cinematográfico como algo simples e que qualquer um com uma boa idéia pode exercer. Afinal, trata-se meramente de definir enquadramentos e movimentos de câmera, e de dar ordens aos atores, não é verdade?
A função do diretor é dificí­lima. É preciso ser acrobata e conseguir manter dezenas de pratos girando ao mesmo tempo, com a diferença de que, no circo, se um prato cai, só ele se quebra, enquanto, no cinema, se o mesmo ocorre, todo o conjunto naufraga.
Uma má fotografia pode até sobreviver a um filme com ótimas atuações, mas um filme com excelente fotografia e performances ruins é um desastre. Sem atuações críveis, nada se sustenta.
Mas nada me parece mais difí­cil e delicado do que a direção dos atores. Primeiro, porque a direção é quase um casamento, depende de confiança absoluta. O diretor coloca seu bem mais precioso nas mãos do ator – o seu filme – e o ator tem que se abrir e jogar de cabeça no território das emoções, crendo que o diretor saberá guiá-lo neste lamaçal, rumo aos sentimentos corretos para uma boa atuação.
Segundo, porque dirigir atores demanda principalmente intuição e disposição para o risco e o mico. Tem pouco de intelectual e muito de tentativa e erro, de processo, de experiência. Nada nos ensina a fazê-lo, a não ser tentar.
Eu ainda me sinto quase absolutamente desarmado neste território. Ainda não sei fazer pouco mais que pedir resultados – o pior tipo de direção -, mas vou tentando perder o medo.
Apesar de que só a prá¡tica ensina, um pouco de teoria pode apontar o rumo certo e também nos fornecer o impulso de buscar. Daí­, como prometido, a tradução da introdução do livro de Judith Weston “Directing Actors”, um excelente começo sobre este tema.

Baixe o arquivo aqui

Dois docs políticos

A amiga Carolina Paraguassu, diretora e produtora, finaliza seu doc Resistência.doc, sobre a trajetória política do governador goiano Mauro Borges. O trailer pode ser conferido aí acima e o material promete.

Além dele, o polêmico Guerrilha do Araguaia – As Faces Ocultas da História, dirigido pelo Eduardo Castro, terá sua versão televisiva exibida no próximo dia 27, às 21 horas, na TV Cultura, para todo o país. Veja também o trailer na tela acima.

Mova a câmera!

Movimentos inesperados e surpreendentes de câmera, sobretudo planos sequência bem feitos, são um dos componentes fundamentais da magia do cinema. Aliás, aqui um belíssimo texto sobre grandes planos sequência com links para alguns deles no You Tube. Na tela acima, um excerto de Soy Cuba, de Mikael Kalatozov, uma pérola da produção comunista, com alguns dos mais espetaculares planos sequência já realizados (a história deste filme é retratada em “O Mamute Siberiano”, do brasileiro Vicente Ferraz).

Muitos de nós, jovem cineastas, entretanto, talvez influenciados por uma certa valorização do experimentalismo que confunde inovação estética com pobreza técnica e operação de câmera porca, parecemos achar que enquadramentos bizarros e câmeras tremidas a ponto de causar enjôo no espectador são coisas desejáveis em nossos filmes.

Talvez isso se deva também ao fato de acharmos que movimentos de câmera elaborados demandam necessariamente gruas, dollies e steadicams de milhares de reais. Na verdade, com criatividade e alguma habilidade manual, é possível improvisar movimentos de câmera que agregam enorme valor a nossos filmes, ou ainda construir equipamentos que fazem praticamente o mesmo que suas contrapartes caras.

Um exemplo disso é o Steadycam de 14 dólares, que qualquer um que saiba o endereço de uma ferragista pode construir em casa. O essencial é compreender o princípio de funcionamento de um steady, nada mais do que simplesmente fornecer um contrapeso à câmera, evitando que ela rotacione em seu eixo horizontal (em movimento indesejado de tilt). Vejam, por exemplo, este filme demonstrativo e comprovem a eficácia da traquitana.

Steady

Outra peça genial é o livro “Killer Camera Rigs that You Can Build”, que detalha projetos relativamente simples de gruas, braços e suportes para gravações em carros, entre outras peças, que revolucionarão seus filmes. Veja também que beleza os filmetes demonstrativos.

Quando queremos desaparecer?

Artigo do Professor José Eli da Veiga na Folha de hoje.

Ambientalismo, entre crença e ciência

JOSÉ ELI DA VEIGA

“SALVAR O planeta” é uma expressão tão falsa quanto presunçosa. Pois nada que a espécie humana possa fazer afetará o planeta na escala geológica de tempo, de milhões de anos.
Diferentemente do que pretende esse slogan, não é a Terra que está sendo posta em perigo por drásticos impactos ambientais contemporâneos, como aquecimento global, erosão da biodiversidade ou escassez e degradação dos recursos hídricos.
O que está na berlinda é a possibilidade de a espécie humana evitar que o processo de sua própria extinção seja acelerado pela depleção de boa parte dos ecossistemas que constituem a biosfera. Essa fina e delicada camada que envolve o planeta.
Na mesma toada, também é falso e presunçoso o discurso que apresenta a conservação da natureza como forma de “superar as ameaças à vida no nosso planeta”. A continuidade da maior parte das formas de vida -das bactérias às baratas, passando pelas amebas- nem de longe está ameaçada pela capacidade destruidora adquirida pela espécie humana.

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