O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados...

Maré de lama

Do Percival Puggina:

Pois bem, fiz uma lista dos amigos do Lula envolvidos nas patifarias. Fiquei impressionado. Não imagino alguém mais, exceto no Comando Vermelho, com tantos amigos patifes. Adicionalmente, apenas para efeitos históricos, elaborei outra, dos escândalos, a partir do caso Waldomiro Diniz (de quem ninguém mais fala), mas ela era tão extensa que, lá pelas tantas, acabou a tinta da impressora.

Tempo Glauber recauchutado

João Rocha, sobrinho de Glauber Rocha, nos escreveu para dizer que o site que mantém em homenagem ao tio – Tempo Glauber – sofreu uma reforma e voltou a fornecer para download o filme proibido Di Cavalcanti di Glauber – Ninguém assistiu ao formidável enterro de sua última quimera; somente a ingratidão, essa pantera, foi sua companheira inseparável. Valeu, João, e viva a liberdade artística!

O eDitador também colabora

Para que vocês, colaboradores amigos, não pensem que só estou experimentando o lado eDitador da blogosfera coletiva, devo dizer que agora também sou colaborador d’O Expressionista. (Eu sempre acho que minha participação só pode mesmo é queimar o filme de quem decide me editar, mas… fazer o quê? os caras são bacanas e me fizeram o convite. Valeu, Diogo!)

Dá-lhe, Verdão!

Lamento, grande Pedro, teremos de discordar veemente um do outro nesta questão. Mas, também veemente, invejo a sensação do Maraca tremendo a um gol do Zico.

Abração!

Bird Flu

A neblina e a chuvinha fria atrapalha chegar até a caixa do correio. Droga, jornal, carta, tudo molhado! E não veio nada do Brasil…Raios duplos!

Já com um café na mão, chama minha atenção um envelope verde com letras púrpura gritando “Getting ready for a flu pandemic”!! Já ia jogar na pilha de spam quando vi o timbre do Ministério da Saúde. Hum, melhor abrir!

Dentro do envelope, uma adesivo de geladeira com telefones úteis, um folheto explicativo muito colorido e uma carta polida, discreta, mas muito direta do Diretor de Saúde Pública.

No panfleto, explicações sobre o que é uma “influenza pandemic”; porque o vírus H5N1 pode representar perigo para os humanos; como fazer seu “plano de emergência”! Coisa engraçada isso! Não, não é risível a preparação para uma catástrofe, me intrigou a forma quase “familiar” com que tratam os desastres por aqui. Ah, e tudo em muitas cores e desenhinhos!

Tina Bell Vance


Nada mais a fazer num domingo de inverno no fim-do-mundo que vagar pela internet. Foi assim que descobri a Tina Bell Vance, uma americana meio funesta, mas terrivelmente criativa! As suas fotos e imagens digitalizadas são de uma tristeza tão “atraente”! Observo atentamente uma a uma – coisa difícil para alguém tão dispersa como eu, ainda mais quando olha para uma tela de computador!

Tudo bem! Num dia quente e ensolarado do Planalto Central do Brasil talvez não ofereçam tanto “perigo” aos olhos, mas hoje, aqui, essas figuras fazem todo sentido…

Síntese

O fato de o cara mais importante depois do presidente ter cometido o crime de violar o sigilo bancário de um cidadão nos mostra bem que tipo de governo temos, não?

Dá-lhe, Dragão!

ACG Entrar num grande estádio de futebol desperta em mim um sentimento de reverência religiosa. Não é à toa que nos referimos a eles frequentemente como “templos”. Eu quase me curvo em respeito e ainda sinto no peito o mesmo entusiasmo que me tomava, menino, mão dada com meu pai, adentrando o templo dos templos, o Maracanã. Quem não vivenciou e não se arrepiou com o Maracanã lotado não viveu – as torcidas indo à loucura com a entrada dos times, o chão literalmente tremendo sob o peso da euforia de um gol de Zico.

Osama e o cinema ocidental

Cada vez que assisto a um desses filmes onde bandidos inteligentíssimos se safam ao final felizes com seus recém adquiridos milhões de dólares, em que homens e mulheres papam um parceiro após o outro como se estes fossem produtos da McDonalds, em que assassinos em série possuem mais fundamentos metafísicos para realizar o que fazem do que os policiais que os perseguem, em que soldados ficam chorando de medo da morte e pirando com a falta de sentido do mundo e do que estão a fazer, e assim por diante, nestes momentos começo a imaginar o que Bin Laden acharia de um filmes desses. Minha conclusão: aposto que ele confirma sua teoria de que o Ocidente – e sobretudo os EUA – são o próprio Diabo mais através do nosso cinema que das nossas atividades políticas. Osama deve dar palestras para seus sequazes enquanto lhes projeta nossas últimas novidades cinematográficas. E digo “nossas” pelo motivo óbvio de que somos ocidentais e de que o cinema brasileiro, de um modo geral, quase pede para que se jogue um avião contra o Morro do Corcovado. E daí, né? Nenhum Artista ocidental parece mesmo se lembrar daquilo que disse o dono do morro…

Eu e o sem-fim

Dois

[1]

Virou-se por todos os lados, procurou, moveu-se, mas nada pôde ver. Olhou os braços, tocou o peito vivo e viu a si. Onde estava o som dentro do sem-fim? Onde está o som, onde está?

Parou de pé sobre o nada, os braços soltos, o olhar à frente. Fechou devagar os olhos e concentrou-se. Sentiu o peito apressado e tornou-o lento. Esperou. Sentiu vagamente o ruído distante, que se tornou mais próximo, mas não abriu os olhos. Ouviu o som atrás de si, o material mexendo, o abrir-se, o fechar-se. Abriu então os olhos e, devagar, virou-se.

Yuri viu o reflexo solitário no nada, a transparência, o retângulo vertical, suspenso. Aproximou-se hesitante, um passo pequeno, outro, mais outro. Viu seu reflexo opaco aproximar-se. Esticou a mão e tocou com os dedos a transparência. Pôs toda a palma nela. Espalmou as duas mãos, percorrendo-a, tocando todas as partes, no meio, em cima, de lado. Atravessou uma das mãos pelo lado e tocou a parte de trás, simultaneamente. Percorreu com os dedos toda a lateral. Passou as mãos sob o retângulo. Não havia maçaneta na porta transparente.

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