Arquivo para February, 2007




27/02/2007

O Sexo Anal e a Alma Feminina

pedro novaes, 8:33 pm
Filed under: Cotidiano,escritores,literatura,livros

Sexo Anal

Dá preguiça demais ler na tela do computador, especialmente ficção e jornal, que são leituras que induzem e pressupõem certos estados de espírito. Jornal, em dia de semana, eu leio aos pedaços, entre um comando e outro no computador da ilha de edição, entre uma tarefa e outra. Em fim de semana, leio esparramado no sofá, escutando música e tomando café ou abrindo os trabalhos com a primeira cerveja do sábado. Livro é livro. Tem que ser de papel e pronto, pesar nas mãos, dar culpa de sublinhar, etc e tal.

Isto posto, digo que abro poucas exceções para textos de ficção na tela do computador. Mas devo confessar que, nas poucas vezes em que o fiz, não me arrependi. E, por coincidência, tratam-se de três romances que guardam incríveis e louváveis semelhanças entre si.

A primeira exceção, já há alguns anos, foi para o “Mulher de um Homem Só”, do Alex Castro, que àquela época ainda se chamava Alexandre Cruz Almeida. Como ele anda tramando sua publicação em papel, tirou o livro temporariamente do ar. É romance curto que não se consegue largar depois de poucas páginas centrado em torno da pergunta de se é possível uma verdadeira amizade entre homem e mulher. Uma genial incursão pela mente de uma mulher decidida a manter seu macho. Delicioso e muito engraçado.

A segunda exceção, bem mais recente, foi para o “Romance Barato”, de ninguém menos que nosso camarada de blog, Ronaldo Brito Roque. Outra genial incursão pelas mentes femininas, pelas emoções, ingenuidade e frieza de garotas que optam pela “vida fácil”. Também me prejudicou os afazeres, pois, uma vez iniciado, não pude mais largá-lo. Literatura do país de Nelson Rodrigues. O rapaz tem sensibilidade e verve. Está tentando publicá-lo e, espera-se, em breve, todos terão o privilégio de se divertir e emocionar com sua literatura.

A terceira exceção, recém concluída, foi para o “Sexo Anal – Uma Novela Marrom” do Luiz Biajoni. Puta que o pariu! Que livro! Como já foi dito, quase um filme. Uma novela visual. Que inveja desse cara. Vá escrever assim no inferno. O Biajoni tem uma capacidade absolutamente anormal para, em escassíssimas linhas meramente descritivas, derramar imagens muito poderosas. O cara não elabora, não psicologiza. Explicita as emoções dos personagens com muita parcimônia, pois não precisa. Está tudo ali nas entrelinhas naquela magia que pouco escribas dominam com tanta habilidade.

“Sexo Anal” é sexo anal, sexo oral, hetero e homossexual, fios-terra, hemorróidas, vibradores, repórteres policiais que gostam de travestis, justiça com as próprias mãos, maçons porcos rindo com escárnio, policiais corruptos, imprensa marrom, cocô e sangue. Contínuos de escritório, punhetas, podolatria. Porra, cerveja choca e fumaça de cigarro. E tudo isso com uma leveza incrível. Humor fino e pura ironia. Qualquer acidez fica por conta do leitor.

Como disse Idelber na orelha do ebook (e ebook tem orelha??), Sexo Anal é “pós ou transpornográfico”, pois “ao escancarar já no título paradoxalmente esvazia qualquer bobinha pretensão de excitação e voyeurismo punheteiro com o texto.” É fato. Você vai até ficar de pau duro ou molhada, mas não dá pra largar o livro e ir pro banheiro. Logo você estará rindo desmesuradamente para, em seguida, se incomodar com a crueza de cagadas e sangue na privada, estupros e assassinatos, e pouco depois puto com coroas gosmentos e qualquer sombra de excitação já terá passado.

A sinopse, nas palavras do próprio autor:

Em “Sexo Anal – Uma novela marrom” uma jornalista descobre as delícias do sexo anal ao mesmo tempo em que é escalada para cobrir – junto a um jornalista policial experiente – um crime bárbaro de estupro e morte. Em paralelo, seu namoro vai mal por conta do assédio de um médico bem-sucedido. Seu namorado conhece uma garota virgem de 23 anos que sofreu um abuso sexual na pré-adolescência e se interessa por ela. Uma homossexual, amiga de faculdade da jornalista – e apaixonada por ela -, faz de tudo para afastar os dois.

Não perca tempo! Antes que ele se envaideça com a enxurrada de elogios e declarações de amor e resolva cobrar, vá lá e baixe seu exemplar.

Finalmente, não posso deixar de enfatizar a semelhança de estilo, temática e de atmosfera entre os três romances citados. Sobretudo me parece curiosa a similaridade na enorme sensibilidade destes três autores homens para sondar a alma feminina. São três obras que têm mulheres como personagens centrais. E tenho certeza que as meninas teriam que ser muito hipócritas, invejosas ou se sentirem amedrontadas demais para negar que os três descrevem com argúcia e sutileza o que se passa no coração e na cabeça delas. Muito bacana.

Muro

rodrigo fiume, 6:34 pm
Filed under: fotografia

escadaria2.jpg (Continua…)

26/02/2007

Peter Sellers no Muppet Show

yuri vieira (SSi), 5:45 pm
Filed under: Humor,Podcast e videos

Link: “That Peter O’Toole is good!” Ahahaha.

25/02/2007

Pecados Íntimos Derrapa e quase Capota

pedro novaes, 5:55 pm
Filed under: cinema

Pecados

“Naquele momento, Larry se deu conta de que o passado não pode ser modificado, mas o futuro, esse sim, poderia ser diferente. E a construção desse futuro distinto deveria começar naquele instante. Ele podia salvar uma vida.”

Com essa frase, ou algo muito semelhente, dita em off pelo narrador, o roteirista e diretor Todd Field quase destrói o excelente filme “Pecados Íntimos”, título este em português que aliás não faz jus ao muito melhor “Little Children” (“Criancinhas”) original em inglês. O filme é candidato aos prêmios de melhor ator coadjuvante (Jackie Earle Haley excelente no papel do pedófilo Ronnie), melhor atriz, com Kate Winslett, também em ótima atuação, e melhor roteiro adaptado, na cerimônia do Oscar hoje à noite. Aparentemente tem alguma chance no primeiro, embora Eddie Murphy seja franco favorito, chances remotíssimas no segundo, onde Hellen Mirren é quase barbada, e escassas no terceiro, onde a concorrência de “Os Infiltrados” é forte.

O uso do off, ou “voice over”, para empregar com precisão a terminologia cinematográfica, é evidentemente objeto de muita crítica. Via de regra, torna-se uma muleta para coisas que o cineasta não consegue passar através de imagens ou com naturalidade nos diálogos dos personagens. Além de denotar certa incapacidade do diretor e do roteirista, o voice over em geral implica na explicitação de pontos de vista, emoções, fatos ou “mensagens” que deveriam ser transmitidos de forma sutil ou ser subentendidos pelo espectador, sob pena do filme tornar-se didático e/ou de se tratar com estupidez e superficialidade as emoções e o raciocínio do próprio espectador.

O roteiro de “Pecados Íntimos” é pontuado em muitos momentos por observações de um narrador em terceira pessoa, a princípio até interessantes – porque complementam ao invés de substituir, como em “Dogville” e “Manderlay” do dinamarquês Lars Von Trier. Mas o escorregão no final é violento.

O filme conta a história de Sarah (Kate Winslett), Brad (Patrick Wilson) e Ronnie (Jackie Earle Haley). Os dois primeiros, oprimidos pelos casamentos e pela paternidade, têm os filhos como desculpa para se conhecerem e eventualmente se tornarem amantes. Ronnie é um condenado por molestar sexualmente crianças que, solto em liberdade condicional, passa a residir com a mãe na mesma comunidade dos subúrbios de Boston. A vida dos três se entrelaça de maneira inesperada, ressaltando a imaturidade emocional como motivador das ações não apenas deles, mas de quase todos os personagens envolvidos. Criancinhas.

O roteiro é excelente e, o tempo todo, não sente pena dos personagens, resultando em um filme forte e incômodo. Todd Field só se perde no final, quando deixa vazar seu pendor para o melodrama americano. Depois de conduzir o filme de forma impecável e cheia de surpresas até minutos antes do fim, ele não se contém e produz uma pequena epifania individual para Larry, o personagem de Noah Emmerich, que culmina com a frase citada no início do post, através da qual evidentemente ficam todos os personagens redimidos de seus pecados.

O final como um todo é discutível. Moralista? Talvez. Seguramente um pouco melodramático demais.

De toda maneira, não chega a comprometer o todo. Vale à pena assitir.

CONTRA a anistia de José Dirceu

yuri vieira, 1:29 am
Filed under: Política

Esta petição contém um manifesto do povo brasileiro CONTRA a concessão de qualquer tipo de anistia, perdão ou remissão para a pena de suspensão de direitos políticos aplicada a José Dirceu de Oliveira e Silva, ex-ministro chefe da Casa Civil durante quase todo o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ex-deputado federal pelo PT de São Paulo. (…)”

O polêmico aquecimento global II

yuri vieira, 12:50 am
Filed under: Ciência,Imprensa,meio ambiente,Política

Há uma variável que nunca vejo ser levada em conta nas equações catastróficas, via imprensa, do famigerado aquecimento global: o aquecimento do próprio Sol. Segundo Richard Willson (pesquisador da Columbia University e do NASA’s Goddard Institute for Space Studies), o aumento da temperatura solar contribuiu com algo entre 10 e 30% do aquecimento global registrado apenas entre 1980 e 2002. E, segundo consta, isso vem ocorrendo desde antes do início do século XX. Aí eu me pergunto: qual a conexão entre o comportamento humano e o estado do nosso Sol? O que ficaremos proibidos de fazer para evitar o incremento da atividade solar? Que artigos o futuro Governo Mundial terá em sua Constituição para nos acusar de “acaloradores” da nossa estrela? Porque esse negócio de plantar um bosquezinho de sequóias a cada peido de metano que dermos não irá adiantar muito não. No fundo, imagino que a burrice e a maldade tenham sim algo a ver com a atividade do Sol. Ele deve ficar muito irritado ao iluminar o que se passa por aqui. Se isso for verdade, creo que ya nos jodimos todos. Só com a eleição do Lula várias explosões solares de grande magnitude devem ter ocorrido. Sem contar as burradas de todos os demais políticos e líderes da Terra, seus gurus e seus financiadores. E as minhas burradas. E as suas.

Espero que o tal Jan Val Elan esteja certo…

(Este é um post para reforçar o anterior.)

24/02/2007

Chutes (11 erros, 10 acertos)

rodrigo fiume, 11:52 pm
Filed under: cinema

FILME:

  • — Babel*
  • —— Os Infiltrados*——
  • Cartas de Iwo Jima*
  • Pequena Miss Sunshine*
  • A Rainha*

DIRETOR:

  • Alejandro Iñárritu – Babel*
  • — Martin Scorsese – Os Infiltrados*
  • Clint Eastwood – Cartas de Iwo Jima*
  • Stephen Frears – A Rainha*
  • Paul Greengrass – Vôo United 93

ATOR:

  • Leonardo Dicaprio – Diamante de Sangue
  • Ryan Gosling – Half Nelson
  • Peter O’Toole – Vênus
  • Will Smith – Em Busca da Felicidade
  • — Forest Whitaker – O Último Rei da Escócia

ATOR COADJUVANTE:

  • ——Alan Arkin – Pequena Miss Sunshine* ——
  • Jackie Earle Haley – Pecados Íntimos
  • Djimon Hounsou – Diamante de Sangue
  • — Eddie Murphy – Dreamgirls
  • Mark Wahlberg – Os Infiltrados*

ATRIZ:

  • Penélope Cruz – Volver*
  • Judi Dench – Notas Sobre Um Escândalo
  • — Helen Mirren – A Rainha*
  • Meryl Streep – O Diabo Veste Prada*
  • Kate Winslet – Pecados Íntimos

ATRIZ COADJUVANTE:

  • Adriana Barraza – Babel*
  • Cate Blanchett – Notas Sobre Um Escândalo
  • Abigail Breslin – Pequena Miss Sunshine*
  • — Jennifer Hudson – Dreamgirls
  • Rinko Kikuchi – Babel*

LONGA DE ANIMAÇÃO:

  • — Carros
  • ——Happy Feet – O Pingüim——
  • A Casa Monstro*

DOCUMENTÁRIO: (Continua…)

Quero uma opinião masculina

ronaldo brito roque, 8:22 pm
Filed under: especulativas,Religião

Existe algo comum a todos esses livros e filmes que metem o pau no islã. Algo que comparece com a inevitabilidade das ressacas e a persistência inconveniente de um chato. É que o autor é sempre mulher. Seja ocidental, oriental, católica ou atéia, é sempre uma mulher que sobe no palanque para falar mal da poligamia, da opressão e dessas coisinhas que também acontecem aqui, só que sem a permissão de alá. É claro que isso era de se esperar, e longe de mim querer impedir que as mulheres façam suas lamentações. Se tirarmos da mulher o direito de reclamar, talvez não lhe sobre nada. Temos que deixar as pobres se lamentarem. Mas o que me incomoda nessa ladainha toda é a sua unilateralidade. Por toda parte, só se vê mulher reclamando. Só a mulher tem voz. Ainda não vi nenhum livro ou filme com a visão masculina da história. Os muçulmanos gostam de ter quatro esposas? Gostam de poder bater nelas? Eles são mais felizes que nós? Eles se reúnem em bares e riem da nossa burrice em ter aceitado Jesus e sua tediosa idéia de monogamia?

Eu, particularmente, não gosto de bater em mulher (tenho esse defeito que decepciona minha noiva), mas eu gostaria de saber, por exemplo, se a universidade fica melhor ou pior sem mulher. Acho que fica melhor. (Continua…)

23/02/2007

Submissão

yuri vieira, 3:41 pm
Filed under: cinema,Podcast e videos,Política,Religião

Este curta-metragem, que denuncia a opressão sofrida pela mulher sob o islamismo – com roteiro da deputada liberal holandesa Ayaan Hirsi Ali, de origem somali e ameaçada de morte -, custou a vida do cineasta Theo van Gogh.

22/02/2007

A Rainha

rodrigo fiume, 2:34 am
Filed under: cinema

a-rainha.jpgNão é bem um filme ruim. A recriação dos acontecimentos em A Rainha, de Stephen Frears, é bastante convincente. Parece até um documentário.

E Hellen Mirren como a Elisabeth II está mesmo perfeita. Tem tudo para juntar o Oscar à gama de prêmios que já recebeu pelo papel — no total, o filme teve 6 indicações: filme, diretor, roteiro original, figurino e trilha sonora original.

A Rainha retrata a comoção popular causada pela morte da princesa Diana, a relutância da família real em segui-la e o esforço oportunista do primeiro-ministro Tony Blair em consertar as coisas. O fato é que, por trás da frieza real atribuída à posição, o sentimento de Elisabeth é bem claro: Diana não era querida.

O “embate” entre o novo, representado pelo recém empossado Blair, e o velho, a milenar monarquia, confere certa diversão ao filme. Mas, pessoalmente falando, não vi tanta graça no todo. É uma situação que interessa mais aos britânicos ou aos que ainda prezam a monarquia nos dias de hoje.

21/02/2007

O islã segundo Wafa Sultan

yuri vieira (SSi), 7:20 pm
Filed under: Imprensa,Podcast e videos,Política,Religião

Al Jazeera entrevista a psicóloga Wafa Sultan:

O Labirinto do Fauno

rodrigo fiume, 2:03 am
Filed under: cinema

labirinto-do-fauno-poster11t.jpgBelo filme. Embora se apóie em contos de fada, não é um filme infantil. É pesado, rude, violento.

Mãe e sua filha se mudam para uma área de conflitos na Espanha, durante a guerra civil. A mulher está grávida do comandante militar encarregado de extinguir os rebeldes. Na mansão, a menina descobre um labirinto de pedras.

O Labirinto do Fauno, do mexicano Guillermo del Toro, tem uma trama criativa. Os atores são muitos bons e o visual é bonito. Recebeu 6 indicações ao Oscar: filme estrangeiro, roteiro original, trilha sonora original, fotografia, direção de arte e maquiagem.

Na verdade, o filme trata da crueldade humana. Mostra-a sem concessões. E quando a realidade é o inferno, resta a fantasia.

20/02/2007

Sem despedida

ronaldo brito roque, 9:59 pm
Filed under: literatura

A vida é amarga, mas não é amarga como um bom café. Ela é chata, pequena, mesquinha. Depois dos dezesseis anos todo sonho já vem com o carimbo de Sonho Impossível. Mas eu sou teimosa: eu sonhei assim mesmo. Eu quis enxergar um charme especial naquele cabelo grisalho, e não apenas o sinal de que ele mentia a idade. Eu quis acreditar na ex-mulher de Petrópolis, nas razões mais do que justas para um divórcio repentino; eu quis ser compreensiva, e imaginar uma megera que só se preocupava com academia e botox. Quis ver um amor paternal na forma como ele falava da cocker spaniel, no carinho e na dedicação que eu pensei que um dia seriam para mim. Naquele hotel em Cabo Frio, eu chupei como uma profissional, eu abri as pernas em cima da mesa, depois ainda fiquei me perguntando se eu tinha sido perfeita. Ah, como eu queria acreditar que eu tinha sido perfeita! Quando as flores começaram a chegar, eu pensei: “Até que não foi tão difícil. A proposta e o anel vêm depois”. Ainda havia nos meus olhos cansados, um resquício de comédia romântica que me fazia pensar em anel, em dança de salão, em palavras de filmes antigos. Naquela manhã constrangedora, ele disse que seu único vício era o café, e eu quis acreditar também nessa bobagem. Os filmes não me ensinaram dos outros vícios, da capacidade para mentir, do desprezo inabalável que um homem pode sentir, mesmo depois de dois anos. Isso eu tive de aprender aos tropeços, entre um riso fingido e uma manhã de ressaca, um orgasmo fingido e um telefone que não toca. Mas eu sou teimosa: eu sonhar vou apesar de tudo. Eu vou acreditar que ele temia me perder para alguém mais jovem, que ele gaguejava quando falava minha idade para os amigos, que ele escondia os famosos comprimidos azuis no bolso interno do paletó. Semana que vem eu já vou olhar aquelas fotos com outros olhos. Vou acreditar no meu próprio riso falso, vou jurar para uma amiga que eu fui feliz. E esse choro irritante de hoje, esse silêncio, que não me deixa perguntar onde eu errei, vai ser só mais uma lembrança, indigesta como a porra que engoli em Cabo Frio. E quando outro homem falar em cocker spaniel, quando eu vir uma
gravata de seda e outro dedo sem aliança, os meus olhos vão estar prontos para mais poesia, e a minha boca, para mais sêmen. Porque, eu sou teimosa, eu vou sonhar de qualquer jeito, até que a realidade me atenda, nem que seja por piedade do meu desespero.

19/02/2007

O polêmico aquecimento global

yuri vieira, 1:05 pm
Filed under: amigos,Ciência,Cotidiano,especulativas,meio ambiente,Política

Rolou, no correr da semana passada, uma discussão interna entre os colaboradores deste blog, via email, a respeito do aquecimento global. Na verdade, participei mais enquanto observador – não tenho acompanhado esse tema com a devida atenção -, mas meus colegas de nome bíblico (Pedro, Paulo e Daniel) andaram medindo os bigodes. Paulo e Pedro já trabalharam nessa área por anos, tendo o Paulo sido superintendente do Parque Ecológico de Goiânia e o Pedro, geógrafo e consultor na área, além de cineasta, com documentários tratando do assunto circulando por aí. Ah, vale dizer que ele também traz os genes do pai, o jornalista Washington Novaes, com anos e anos de dedicação ao debate ambiental. Já o Daniel é mais como o autor deste post, imagino: assim como eu fui um militante da Fundación Natura, no Equador, foi ele membro de um grupo de militância ambiental anos atrás. Enfim, na referida discussão, meu único comentário foi: vcs deviam ter escrito isso tudo no blog. Já que ainda não vejo sinais do debate por aqui, aproveito para dar a deixa ao sugerir a leitura do post do Pedro Sette Câmara, Václav Klaus sobre o aquecimento global, no blog O Indivíduo.

18/02/2007

Sobre ciência e religião III

daniel christino, 7:20 pm
Filed under: Ciência,este blog,Religião

Eu deveria gerenciar os temas vinculados à discussão em seus respectivos posts originais e não pentelhar a área principal do blog com comentários sobre comentários dos comentários. Mas fiquei com pregüiça e resolvi colocar tudo num último post – que é último apenas porque não vou mais postar sobre isso, não porque resolvi a questão. Deveria também continuar o post anterior (o nº 2), mas como houve desdobramentos bastante interessantes, optei por comentá-los. Vamos lá. (Continua…)

17/02/2007

O DC-6 do John Wayne

yuri vieira, 5:59 pm
Filed under: cinema,Economia,Política,tecnologia

Dia 28 de fevereiro será reprisado, no Telecine Cult, o filme Um fio de esperança (The High and the Mighty) (1954), protagonizado por John Wayne. Trata-se, salvo engano, do primeiro filme a explorar o drama de passageiros e tripulação de um vôo comercial em pane. Ou seja: é o avô da série de filmes Aeroporto dos anos 70, que, nos anos 80, desembocou em Apertem os cintos o piloto sumiu. Bom, minha intenção não é tratar exatamente do filme, mas sim do avião Douglas DC-6 utilizado nas filmagens.

Esse avião foi comprado em 1957 por uma das maiores empresas brasileiras de aviação à época, a Lóide Aéreo Nacional, da qual meu pai foi funcionário. Em 1961, o presidente Jânio Quadros foi informado de que o coronel Marcílio Gibson Jacques – veterano da Segunda Guerra e um dos proprietários da Lóide – estava contrabandeando motocicletas para o Brasil em caixas que supostamente traziam peças de avião. Filmes como O Selvagem, com Marlon Brando, haviam alavancado o interesse por motos, mas os impostos cobrados pelo governo brasileiro tornavam a compra desse sonho de consumo mais sonho que consumo. Jânio Quadros fez então aquilo que nossos políticos chamam de política, a saber, colocou o coronel Gibson contra a parede: ou ele vendia por uma quantia irrisória a Lóide Aéreo para a Vasp (uma autarquia do governo paulista) ou iria para a prisão por contrabando. Assim, neste mesmo ano, a Vasp, para espanto do mercado, comprou sua rival várias vezes maior e mais cara que ela própria. Mas essa é uma outra história…

O DC-6 do filme tornou-se, pois, propriedade da Viação Aérea de São Paulo, com quem permaneceu até mais ou menos 1968, quando então a Vasp passou a adquirir apenas jatos da Boing. O avião, aliás, tinha uma placa de metal logo à entrada da cabine: “Este avião serviu como palco do filme Um fio de esperança, protagonizado por John Wayne”. Em 1968, já funcionário da Vasp, meu pai tentou vender o avião para uma empresa de Buenos Aires, que preferiu adquirir um dos Vickers Viscount da empresa paulista. Hoje, se o avião ainda existir, deve pertencer a alguma empresa do Peru, Bolívia ou Colômbia – meu pai não se lembra quem ao certo o comprou. Em meio à desordem dos nossos aeroportos, isto talvez signifique que não somente a Vasp, mas também todo um leque de companhias de aviação nacionais, realmente perdeu seu último fio de esperança…



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