O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados...

O Plágio de Brokeback

O filme até que é bom, mas temos que reconhecer que O Segredo de Brokeback Mountain é um plágio descarado. Afinal, há alguns anos, o Brasil já tem um famoso casal de cowboys gays – Rocky e Hudson – nas tiras de Adão Iturrusgarai. No rústico mundo do Velho Oeste, eles tiveram a coragem de sair do armário muito antes de Ennis e Jack, personagens do filme de Ang Lee, vencedor do Leão de Ouro em Veneza e sério candidato ao Oscar de melhor filme.

Vai, o filme é bom, mas também não é nada demais. Que é legal abrir os armários do Texas e do Wyoming, isso é. Podíamos, quem sabe, fazer uma versão nacional ambientada em Goiânia…

O Sertão Profundo de Goiás

Era final de tarde e o sol se punha lento e sanguíneo na borda da árida planície. Sua luz, difundida pela densa carga de poeira no ar – era setembro e não chovia há meses –, tingia de vermelho o remanso preguiçoso do Velho Chico.

Domingos, acocorado atrás de um grande cupinzeiro, com o trapo amarelado de blusa que cobria seu tronco empapado de suor, fumava e esperava ansioso que Josina aparecesse. Pelos rasgos do tecido, entreviam-se as quelóides de anos de sovas no pelourinho. O feitor era homem de intuição forte, trabalhara nas Minas Gerais, comandando manadas de escravos que se contavam aos milhares, e conhecia melhor que ninguém um negro rebelde. Sabia que Domingos tentaria fugir, mais hora menos hora, e não se cansava de amarrá-lo ao tronco e chicoteá-lo por qualquer motivo.

O Cueca Apertada

Escreveu Lin Yutang, em 1938, n’A Importância de Viver:

“A minha idéia de um bom magazine é esta: uma reunião quinzenal de bons conversadores, para deixá-los falar uns com os outros, por uma ou duas horas. Os “leitores” escutariam essas conversas. Depois disto, iria o leitor para a cama e, na manhã seguinte, ao acordar para os seus deveres cotidianos, sentiria, ainda persistente junto às suas faces, o sabor da conversa da noite passada”.

E esses meus amigos teimando em não realizar nosso podcast com debates, isto é, um… “cueca apertada”.

O dono da urubua

Célio e LoiraA internet é mesmo espantosa. Num dia vc escreve sobre alguém e menos de uma semana depois – graças ao Google, lógico – esse alguém bate em suas portas virtuais. Isso aconteceu uma vez quando meti o pau no horrendo show dos irmãos Caruso, um a que assisti no Teatro Nacional de Brasília ainda antes da eleição do ex-iluminado Lula. (Tão iluminado quanto o filho do Jack Nicholson naquele filme homônimo. A diferença é que Lula não consegue mais conversar com o dedo – redrum! redrum! – que fugiu por achá-lo muito chato.) Pouco depois a mulher dum deles (falo ainda dos irmãos Caruso) encontrou meu texto na net e veio toda magoada tirar satisfação. Uê, que é que eu podia fazer se eles, enquanto músicos e compositores, são ótimos cartunistas militantes? E, claro, ambos pra lá de sem graça. Mas, puts, eu havia prometido a mim mesmo que não faria mais isso, botar o dedo na ferida alheia. (Desculpa, Papai do Céu, eu sei que vc disse que muito melhor é elogiar quem merece e calar sobre os demais, mas… ainda vou aprender.)

Pois é, agora recebi um email que curti muito, do Célio Luiz da Silva, o dono da Loira – a urubua mais charmosa de Minas Gerais – sobre quem escrevi há alguns dias: O urubu e o amor. Coloquei ao pé do texto – com autorização dele – o referido email, o qual esclarece minhas dúvidas sobre a possível futura primeira dama de Cambuí…

Ah, é óbvio que fui convidado para a comunidade da Loira e do Célio, à qual já aderi.

Essa internet…

Lamento de Donzela

Eu quero um homem

que faça versos

que me mostre o quanto eu não sei

fazer versos

e me deixe subitamente feliz por não precisar mais

fazer versos.

eu quero um homem que seja

um menino

magro, desamparado

rejeitado por todas as mulheres

e ainda assim tenha no peito

um amor quente e inquestionável

úmido e salgado como lágrima

espesso como sêmen

explosivo como sêmen.

Ou um homem velho, bruto,

fatigado das mulheres.

Enquete

Mulher demais atrapalha? Do Estadão:

Obrigado a ter 4 esposas, homem acaba deprimido

Riad – Um muçulmano pode se casar com até 4 mulheres, mas um jovem de Riad, na Arábia Saudita e que não teve o nome revelado, teve de ser internado com problemas psicológicos após ser obrigado por seus pais a ter 4 esposas. Primeiro, o pai impôs uma mulher de sua família, e imediatamente a mãe fez o mesmo. O pai, zangado e decidido a manter a influência familiar, obrigou o filho a aceitar uma 3ª esposa, também do lado paterno. Para não ficar atrás, a mãe fez o mesmo.Pouco após as quatro cerimônias, o jovem deu entrada em um hospital com depressão e agora ele se nega a ver seu pai, sua mãe e suas quatro esposas.

Votem nas putas!

Já que a profissão mais antiga do mundo veio à tona, vale lembrar o dito popular: “Votem nas putas, porque os filhos delas não resolvem”. Só têm feito cagada no Congresso (e no Executivo e Judiciário).

Aliás, nada a ver uma coisa com a outra, mas o Nelson Jobim hoje confirmou que deixa o STF e se filia ao PMDB para se candidatar.

Perguntas que não querem calar…

Pergunta 1: a Bruna Surfistinha está esperando as vendas do livro dela darem uma arrefecida para posar nua? (Pois é de se estranhar que ainda não o tenha feito, certo?).
Pergunta 2: na segunda arrefecida ela se casa em grande estilo?
Pergunta 3 e mais importante: será que o casamento da Bruna Surfistinha vai sair em Caras?
Seria talvez o ápice da história do Brasil. Depois, vem a decadência.

Suco de Cacto

100% de gaveA tequila, ou o tequila – os dois gêneros são usados em espanhol–, é hoje uma denominação de origem, cuja produção é controlada pelo governo mexicano. Sua fabricação deve seguir certos padrões. Só pode se chamar tequila, mesmo que a receita seja idêntica, a bebida produzida nos estados de Jalisco e Michoacán. Não confundir com o Mezcal, também feito a partir do agave, em outras regiões (é em alguns dos tipos de Mezcal que se pode encontrar o famoso verme – o gusano – no fundo da garrafa).

Comediantes negros

The Original Kings of Comedy Quem ainda não assistiu então assista ao excelente filme do Spike Lee The Original Kings of Comedy, um documentário sobre impagáveis comediantes stand up dos quais nunca havia ouvido falar: Steve Harvey, D.L. Hughley, Cedric the Entertainer e Bernie Mac. Não me esqueço de dois temas abordados por um deles: o porquê de o termo motherfucker ser de uso imprescindível e a diferença entre se criar filhos hoje em dia e antigamente. E o figura fala sobre como apanhava da avó por interromper uma conversa de adultos – que não falavam senão de cenouras e repolho – e de como atualmente seus sobrinhos de 3, 4 e 6 anos de idade o desafiam e enfrentam, sendo a menina de três a líder da gangue. Ele, claro, morre de saudades da época em que os adultos tinham autoridade e podiam dar uma surra nas crianças.

Outra coisa: é interessante notar como certas piadas que contam sobre negros levariam qualquer comediante americano branco diretamente ao tribunal ou ao cemitério. Falam coisas que todos pensam – ou vêem – mas não têm coragem de dizer. (Afinal, possuem um salvo-conduto na cor da pele.) Enfim, os caras são ótimos.

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