blog do escritor yuri vieira e convidados...

Mês: fevereiro 2006 Page 12 of 14

Mais Política do Bem

No post sobre o Islamismo, mencionei o Ottón Solís, candidato derrotado à presidência da Costa Rica em 2002, que conheci num seminário em Salzburg, Áustria. Descubro agora, com alegria e surpresa, ao pesquisar para este post, que Ottón é novamente candidato nas eleições agora em curso naquele país. O primeiro turno aconteceu anteontem e trata-se do pleito mais concorrido nos cem anos daquela democracia. A contagem segue voto a voto e o resultado só deve sair dentro de 15 dias, conforme noticiam os jornais locais. Seu adversário é o ex-presidente e Nobel da Paz, Oscar Arias Sanchéz. É bastante possível que meu ensandecido e querido amigo se torne, de forma inesperada, presidente de seu país – as pesquisas indicavam vitória de Arias.

Eu, o careta, e o Superbowl

Confesso que não entendo os estadunidenses (tá no Aurélio! tá bom, vou chamá-los de norte-americanos).

Estava assistindo a alguns clipes de rap na TV. Eles pegaram a minha atenção porque tinham legendas. Ou seja, pude entender o que os caras falavam, coisa impossível por conta do meu inglês e de um monte de gírias. Sabe o que diziam?

Um falava algo do tipo: “Vem cá, garota, te ponho de quatro, você vai gostar” — e o cara ia mostrando com as mãos e os quadris o que faria. Em outro, uma garota ficava dizendo: “Você não gostaria que sua namorada fosse tão gostosa quanto eu?”

Aí eu fiquei pensando. Poxa, não teve pouco tempo atrás aquele rebu por conta de um mamilo?

Mais textos!

Blog antigoPuts, encontrei outro becape deste blog – de quando eu ainda usava o Movable Type – com vários textos meus que ficaram de fora desta nova versão pós-WordPress. (Tudo culpa daquela minha idéia besta de fazer um “miniblog” na coluna lateral do antigo blog.) Vai me dar uma trabalheira publicar tudo de novo… (Já está me dando!) Por isso alguns dos meses de 2002, 2003 e 2004, aí ao lado no arquivo por data, estavam tão pouco povoados.

O eXegeta está aqui

Durante um ano – entre 2003 e 2004 – mantive outro blog, de título O eXegeta – lendo e relendo o Livro de Urântia, que, segundo pude averiguar, foi o primeiro blog no mundo dedicado exclusivamente a essa possível Revelação. (Eis o post inicial dele.) Foi descontinuado porque, ironicamente, muito atrapalhou minha exegese particular do Livro. Sim, porque tornou-se – contra minha vontade – um fórum no qual me vi colocado como advogado de algo que ainda não conhecia plenamente. As mil e uma discussões me cansaram ao extremo, encheram o meu saco.

Ok, embora eu acredite que religião seja sim uma questão de foro pessoal, apesar dos pesares ainda creio que possa ser debatida enquanto condição da vida em sociedade. As discussões desse naipe, n’O eXegeta, foram proveitosas. Mas não dá pra debater com quem pense que Deus seja algo passível de prova científica. Essa gente só me fez perder tempo. (Ou não, afinal aprendi a não perder mais tempo com quem não tem olhos de ver e ouvidos de ouvir.)

Bom, a questão é que andei separando o joio do trigo, retirei os comentários (hoje tenho muito clara a concepção de que blog não é fórum) e importei algumas entradas d’O eXegeta aqui para o Garganta. Daí essa súbita ultrapassagem dos 1000 posts.

Plágio de Brokeback II

Aparentemente, não sou o único a reivindicar para o talento nacional a originalidade da idéia de um romance entre cowboys gays, retratada em O Segredo de Brokeback Mountain. Agora vejo que o Gustibus noticiava ontem, citando a coluna Gente Boa, de O Globo, que o ator José de Abreu reclama, para o cinema nacional, a vanguarda neste sentido. Ele atuou, em 1980, no filme “A Intrusa”, em que fazia uma das metades de um par cowboy gay gaúcho…

Além disso, também não se deve esquecer, conforme ressaltou o caderno Mais! há duas semanas, que nosso Grande Sertão Veredas também trata do tema, embora, no final, a coisa acabe não sendo bem assim.

Como disse o Cláudio, o melhor do Brasil é o Brasileiro… 🙂

GBuy, o “PayPal” da Google

Jeff Jordan, o chefão do PayPal (eBay), está perdendo o sono graças à Google. Já tratei do assunto em duas ocasiões (aqui e aqui), mas essa turma anda muito enrolada pro meu gosto. Eu curto o Paypal – que uso para fazer os pagamentos do meu domínio, do servidor deste site e do SkypeOut, entre outras coisinhas – mas é uma chatice não poder transferir a grana do Google Adsense para minha conta do PayPal. Ficam lá aqueles míseros U$50, a mofar, ou melhor, sendo usados pela Google quando já deveriam ser meus. (Eles só enviarão um cheque assim que o montante atingir os U$100. Não há convênios com bancos brasileiros para transferência direta.) Daí minha pressa em ver a Google criar de uma vez por todas seu próprio sistema de pagamento online: preciso renovar as assinaturas do domínio e do servidor! (Utilizo os serviços de duas empresas norte-americanas que, além de serem mil vezes mais baratas, e de aceitarem o PayPal, também me propiciam excelentes recursos: Routhost, a do servidor, e SecurePayNet, a do domínio.)

Com moderação, mas beba…

Apesar do calor, ontem tomei uma tacinha de tinto (levemente resfriada). Olha que notícia boa. Da BBC Brasil:

Composto de vinho tinto prolonga vida de peixes em até 50%

Um composto presente no vinho tinto tem o poder de prolongar a vida – ao menos em peixes –, de acordo com pesquisadores italianos.

Lugares-Memória VII ou O Meu Islã

Nada me soa mais estranho do que o fundamentalismo islâmico. Todo o meu contato com o mundo muçulmano sempre me mostrou o oposto do que esses loucos professam e fazem. É verdade que, por outro lado, nunca estive em um país de maioria islâmica, e portanto minha experiência tem algo de limitada. Mas conheci muitos muçulmanos de diversas nacionalidades – paquistaneses, indianos, nigerianos, palestinos, indonésios, egípcios, sudaneses, iranianos, sauditas, marroquinos, tunisianos, entre outros – e tenho uma imagem dessa gente como afetuosa, humana, alegre e tolerante.

O Plágio de Brokeback

O filme até que é bom, mas temos que reconhecer que O Segredo de Brokeback Mountain é um plágio descarado. Afinal, há alguns anos, o Brasil já tem um famoso casal de cowboys gays – Rocky e Hudson – nas tiras de Adão Iturrusgarai. No rústico mundo do Velho Oeste, eles tiveram a coragem de sair do armário muito antes de Ennis e Jack, personagens do filme de Ang Lee, vencedor do Leão de Ouro em Veneza e sério candidato ao Oscar de melhor filme.

Vai, o filme é bom, mas também não é nada demais. Que é legal abrir os armários do Texas e do Wyoming, isso é. Podíamos, quem sabe, fazer uma versão nacional ambientada em Goiânia…

O Sertão Profundo de Goiás

Era final de tarde e o sol se punha lento e sanguíneo na borda da árida planície. Sua luz, difundida pela densa carga de poeira no ar – era setembro e não chovia há meses –, tingia de vermelho o remanso preguiçoso do Velho Chico.

Domingos, acocorado atrás de um grande cupinzeiro, com o trapo amarelado de blusa que cobria seu tronco empapado de suor, fumava e esperava ansioso que Josina aparecesse. Pelos rasgos do tecido, entreviam-se as quelóides de anos de sovas no pelourinho. O feitor era homem de intuição forte, trabalhara nas Minas Gerais, comandando manadas de escravos que se contavam aos milhares, e conhecia melhor que ninguém um negro rebelde. Sabia que Domingos tentaria fugir, mais hora menos hora, e não se cansava de amarrá-lo ao tronco e chicoteá-lo por qualquer motivo.

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